O final do ano é o período das listas por excelências — das listas dos melhores livros, dos melhores álbuns, dos melhores momentos, dos piores, e também das dez candidatas a “Palavra do Ano”, iniciativa da Porto Editora que regressa para mais um ano. A lista, constituída por dez vocábulos da língua portuguesa, foi divulgada ao final da tarde deste sábado pelo grupo editorial, que criou a iniciativa há nove anos.

Entre as escolhas dos linguistas da Porto Editora, feitas com base em sugestões enviadas pelos portugueses, contam-se este ano palavras como assédio, extremismo, paiol, populismo ou toupeira. Tal como em anos anteriores, tratam-se de vocábulos que resumem bem o que de mais importante se passou em Portugal e no mundo em 2018, prestes a terminar. As dez palavras, com as devidas explicações do grupo editorial, são as seguintes:

  1. Assédio: “Movimentos como o ‘Me Too’ colocaram o tema do assédio sexual na agenda, com vários casos envolvendo figuras públicas”;
  2. Enfermeiro:Os enfermeiros reclamam aumentos salariais, uma progressão mais rápida na carreira e a contratação de mais profissionais”;
  3. Especulação:A especulação imobiliária atingiu níveis alarmantes nas grandes cidades e gerou um grande debate, nomeadamente sobre a polémica ‘taxa Robles'”;
  4. Extremismo: “São cada vez mais frequentes as manifestações de intolerância e radicalismo, nomeadamente no espaço europeu, o que justifica uma crescente preocupação”;
  5. Paiol: “O caso do desaparecimento das armas do paiol de Tancos conheceu desenvolvimentos surpreendentes ao longo do ano, estando ainda por esclarecer completamente”;
  6. Populismo: “O discurso marcadamente populista tomou de assalto o debate público um pouco por todo o mundo, alimentando o surgimento de movimentos e líderes políticos que já conquistaram o poder em vários países”;
  7. Privacidade: “O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) entrou em vigor em maio de 2018 com uma série de novas medidas para defesa da privacidade dos cidadãos, na relação com empresas e instituições públicas ou privadas”;
  8. Professor: “Os professores continuam a lutar pela contabilização da totalidade do tempo de serviço prestado durante o congelamento de carreiras”;
  9. Sexismo: “Esta forma de discriminação de pessoas ou grupos com base no seu sexo tem vindo a ser crescentemente denunciada, com vários casos mediáticos a alimentarem a discussão pública e a condenação social”;
  10. Toupeira: “A suspeita de que um clube de futebol nacional dispunha de uma rede de informadores no interior do sistema de Justiça pôs em marcha a chamada ‘Operação e-toupeira'”.

A partir deste sábado, os portugueses vão poder votar na sua palavra favorita. A votação irá decorrer até ao último segundo do último dia de 2018, no site da “Palavra do Ano”. A vencedora será anunciada, como é costume, no início do próximo ano. No ano passado, foi incêndio, que recebeu 37% dos votos, que ficou em primeiro lugar. Em segundo e terceiro lugares ficaram afeto e floresta, com 20% e 14% das preferências, respetivamente.

A iniciativa “Palavra do Ano” foi lançada em 2009 pela Porto Editora e “tem como principal objetivo sublinhar a riqueza lexical e o dinamismo criativo da língua portuguesa, património vivo e precioso de todos os que nela se expressam, acentuando, assim, a importância das palavras e dos seus significados na produção individual e social dos sentidos com que vamos interpretando e construindo a própria vida”.

Este ano celebra-se a décima edição da votação, que teve a palavra esmiuçar, termo popularizado pelos “Gato Fedorento”, como a primeira grande vencedora em 2009. Este primeiro vocábulo foi eleito por um grupo de linguistas da Porto Editora, sendo que só no ano seguinte, em 2010, é que se começou a seguir o método de seleção de um primeiro conjunto de dez, usado até hoje.

Votação da “Palavra do Ano” em Moçambique já começou

Em Angola, já foram reveladas as dez candidatas a “Palavra do Ano”, título que no ano passado foi atribuído ao termo tseke, uma “planta herbácea de rebentos e folhas comestíveis que ganhou notoriedade quando o governo recomendou aos moçambicanos a aposta na sua produção como uma forma de reduzir a pobreza e a fome no país“. As dez candidatas são as seguintes: acidente, autárquicas, desbarato, gás, marandza (termo muito utilizado nas redes sociais para designar “uma mulher tida por interesseira”), reassentamento, resiliência, selecção, sida e terrorismo. A votação já está em curso no site da iniciativa.

Em 2016, pela primeira vez desde a criação da “Palavra do Ano” em 2009, a iniciativa foi aberta a Moçambique e Angola, onde é organizada pela Plural Editores (uma chancela da Porto Editora que está presente nos dois países há dez anos) com o apoio do Camões — Instituto da Cooperação e da Língua.

Uma vez que já são conhecidas as dez finalistas em Moçambique, ficam por conhecer as candidatas a “Palavra do Ano” em Angola. A grande vencedora de 2017 foi exoneração, palavra que começou a ser muito utilizada após a eleição do presidente angolano João Lourenço que, como explica o site da votação, “ordenou a exoneração de diversos titulares de cargos de administração em empresas públicas e noutros organismos estatais”.