Língua Portuguesa

Portugueses escolhem “Incêndios” como “Palavra do Ano”

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Na hora de escolher a palavra que melhor define 2017, os portugueses não conseguirem esquecer a tragédia deste verão. A iniciativa "Palavra do Ano", da Porto Editora, celebra a 10ª edição em 2018.

Os incêndios de junho e outubro fizeram mais de 100 mortos, cerca de 350 feridos e provocaram milhões de euros de prejuízos

HENRIQUE CASINHAS/OBSERVADOR

Sem grandes surpresas, a palavra incêndios é a vencedora da iniciativa “Palavra do Ano”, organizada anualmente pela Porto Editora. O anúncio foi feito esta quinta-feira na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém, em Loures. Com 37% dos votos, a palavra bateu concorrentes como afeto, floresta ou vencedor, que também seguiam à frente na votação, que decorreu ao longo de todo o mês de dezembro. Em 2017, participaram na iniciativa 30 mil portugueses, mais cinco mil do que em 2016 e mais 10 mil do que em 2015.

Além de incêndios — que se manteve sempre nos lugares de topo durante toda a votação –, faziam também parte da lista de dez finalistas os vocábulos afeto, que ficou em segundo lugar com 20% dos votos, floresta (14%), vencedor (8%), crescimento (5%), cativação (5%), desertificação (4%), gentrificação (3%), peregrino (3%) e independentista, escolhido por 1% dos votantes.

A lista de finalistas foi selecionada pela Porto Editora, que organiza a iniciativa desde 2009, com base nas propostas feitas pelos portugueses no site da iniciativa, entre maio e outubro, e “no acompanhamento da realidade da língua portuguesa, observando os meios de comunicação, as redes sociais e os registos de consultas dos dicionários online e mobile“. Em 2016, a “Palavra do Ano” foi geringonça, a expressão usada para designar a coligação parlamentar que apoia o atual Governo. O vocábulo foi escolhido por 25 mil portugueses que, durante o mês de dezembro, votaram numa das dez concorrentes.

A iniciativa “Palavra do Ano” foi lançada em 2009 pela Porto Editora e “tem como principal objetivo sublinhar a riqueza lexical e o dinamismo criativo da língua portuguesa, património vivo e precioso de todos os que nela se expressam, acentuando, assim, a importância das palavras e dos seus significados na produção individual e social dos sentidos com que vamos interpretando e construindo a própria vida”. Desde então, já foram eleitos os vocábulos esmiuçar (2009), vuvuzela (2010), austeridade (2011), entroikado (2012), bombeiro (2013), corrupção (2014), refugiado (2015) e geringonça (2016). Em 2018, irá realizar-se a 10ª edição da iniciativa, uma data que o grupo editorial garante que não passará em branco.

Tseke é a palavra do ano em Moçambique. E em Angola?

Em 2016, pela primeira vez desde a criação da “Palavra do Ano” em 2009, a iniciativa foi aberta a Moçambique e Angola, onde é organizada pela Plural Editores (uma chancela da Porto Editora que está presente nos dois países há dez anos) com o apoio do Camões — Instituto da Cooperação e da Língua.

A edição deste ano já decorreu nos dois países, faltando, contudo, anunciar a palavra vencedora em Angola. Em Moçambique, o título de “Palavra do Ano” foi para tseke, uma “planta herbácea de rebentos e folhas comestíveis que ganhou notoriedade quando o governo recomendou aos moçambicanos a aposta na sua produção como uma forma de reduzir a pobreza e a fome no país“, refere o site da iniciativa. Em 2016, a “Palavra do Ano” em Moçambique foi paz, numa referência ao fim dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e o braço armado do maior partido da posição, a RENAMO.

Em Angola, a palavra de 2017 só será anunciada a 30 de janeiro, numa cerimónia a decorrer no Centro Cultural Português, em Luanda. Em 2016, a escolha recaiu sobre crise, palavra que fez parte do vocabulário dos angolanos durante todo o ano. A “crise económica e financeira que o país atravessa, agravada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, foi um tema inevitável ao longo do ano”, pode ler-se no site da iniciativa em Angola.

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