O Instituto de Comunicação Social da África Austral (MISA) denunciou, esta terça-feira, a detenção na segunda-feira pelo exército moçambicano de três jornalistas estrangeiros e um moçambicano a caminho do distrito de Palma, norte de Moçambique.

O MISA identifica o jornalista moçambicano detido como Estácio Valoi não mencionado a identidade dos jornalistas estrangeiros detidos. Além de Valoi e dos três jornalistas estrangeiros detidos, está também sob custódia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) o motorista que os acompanhava.

“Os jornalistas foram detidos por volta das 9h00 de ontem, 17 de dezembro, pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), quando se encontravam a caminho de Palma ido de Chitolo, Mocímboa da Praia, onde estiveram a trabalhar”, diz a nota do MISA.

Os jornalistas comunicaram a sua detenção às 10h36 horas do mesmo dia e informaram que foram detidos pelas FADM. Os profissionais alegaram que tinham autorização dos comandantes local e provincial para trabalharem naquelas zonas, acrescenta o MISA.

“Terminámos o trabalho em Chitolo, a caminho de Palma, um grupo de soldados mandou-nos parar. Disseram-nos que estavam a cumprir ordens dos que nos autorizaram a trabalhar aqui, levaram as nossas câmaras”, diz uma das mensagens enviadas pelos jornalistas, citada pelo MISA.

O organismo internacional adianta que os repórteres encontram-se detidos no Comando Distrital de Palma e está à busca de mais informações sobre o contexto, motivos e os protagonistas da detenção. “O MISA Moçambique está preocupado com a situação e pede às autoridades a soltura dos repórteres e a devolução dos equipamentos apreendidos com os respetivos conteúdos recolhidos ao longo da investigação que foi feita com o aval das autoridades competentes”, lê-se no comunicado.

Os distritos de Palma e da Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, tal como outras zonas do norte de Moçambique, têm sido palco de ataques protagonizados por grupos armados, desde outubro do ano passado. A violência já provocou dezenas de mortos, entre civis, membros das Forças de Defesa e Segurança e dos grupos armados, e deslocações de populações bem como destruição de propriedade.

Os grupos que protagonizam os ataques têm sido associados a tentativas de impor uma versão do Islão diferente do que vinha sendo praticado na região, que vai conhecer nos próximos anos projetos de produção de gás natural.