A Huawei afirmou esta terça-feira ter fechado 25 contratos comerciais para a a criação de redes 5G, afirmou Ken Hu, um dos presidentes da empresa, avançou a Reuters. Este número é ligeiramente superior aos 22 contratos que a empresa chinesa afirmou ter em novembro, pouco tempo antes de a diretor financeira e filha do fundador da Huawei, Meng Wanzhou, ter sido detida no Canadá por suspeita de violação das sanções comerciais que os Estados Unidos da América impuseram ao Irão.

A empresa não informou quais os clientes destes contratos comerciais, contudo, foi noticiado no início de dezembro uma parceria com a Altice Portugal para desenvolver redes 5G em solo português. A Huawei espera fechar 2018 com receitas superiores a 100 mil milhões de euros.

A Huawei tem desde o início de dezembro reiterado que opera de forma independente do governo chinês, apesar das dúvidas levantadas por nações como a Austrália, a Nova Zelândia ou os Estados Unidos da América. Estes países recusam a celebrar contratos com a Huawei para o desenvolvimento de 5G, uma infraestrutura de comunicação crítica que vai substituir o atual 4G, porque afirmam que há ingerência do governo chinês na empresa.

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Ken Hu, afirmou esta terça-feira em conferência de imprensa na sede do grupo, em Shenzhen, no sul da China que “não há evidências de que a Huawei esteja a ameaçar a segurança nacional de qualquer país”. Esta afirmação tem sido reiterada pela empresa desde que a detenção de Wanzhou, que fez com que rapidamente foi ligada à desconfiança de estados em relação à Huawei.

Perante as preocupações do Ocidente em relação a potenciais atos de espionagem, a fabricante chinesa de equipamentos decidiu esta terça-feira abrir os seus laboratórios de pesquisa a jornalistas e organizar uma conferência de imprensa para responder a questões. Hu assegurou que a sua empresa nunca recebeu nenhum pedido do governo chinês para acesso a dados.

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“Proibir uma determinada empresa não vai resolver problemas de cibersegurança”, disse Hu, garantindo que muitos clientes da Huawei continuam a depositar confiança nos protocolos da empresa.

O grupo tenta há mais de um ano convencer clientes e governos da falta de vínculos com Pequim e lembra que a empresa é 100% propriedade de seus funcionários, não do Estado ou do Exército chinês. A desconfiança ocidental sobre a Huawei é fomentada, em parte, por o seu fundador, Ren Zhengfei, ser um ex-engenheiro do exército chinês.

Para tranquilizar os operadores estrangeiros, a Huawei deu acesso aos seus equipamentos em laboratórios dedicados, onde podem ser totalmente desmontados, para permitir acesso ao seu código-fonte.

A Huawei já investiu milhares de milhões de dólares na investigação de tecnologia 5G, disse ainda o responsável. O grupo tem mais de 80 mil funcionários, quase metade dos quais trabalham em pesquisa e desenvolvimento.Estes investimentos podem, no entanto, ter sido mal sucedidos, se a empresa continuar a ser excluída dos mercados ocidentais, de acordo com especialistas.