O Ministério Público suspeita de que as armas roubadas no caso Tanco poderiam vir a ser vendidas a elementos da ETA. A informação terá sido veiculada por um dos arguidos à Polícia Judiciária, avança o Jornal de Notícias. 

As eventuais ligações de um dos arguidos, atualmente em prisão preventiva, à organização terrorista basca estão a ser investigadas pelo MP e pela PJ. Esta tese é baseada em depoimentos prestados durante os interrogatórios do processo que sugerem que o assalto tenha sido encomendado por terroristas bascos, já que um dos detidos terá confessado à PJ que a ETA terá contactado o grupo de assaltantes nesse sentido. Os explosivos de Tancos seriam vendidos a elementos da ETA enquanto as restantes armas teriam como destino o mercado negro, avança o Expresso. A ETA foi formalmente dissolvida em maio deste ano, ou seja, cerca de um ano depois do assalto.

Ao que tudo indica, a proporção mediática que o caso tomou fez com que os assaltantes mudassem de ideias e, por isso, João Paulino, o alegado líder do grupo de sete homens que entrou ilegalmente nas instalações militares, optou por negociar com um elemento da GNR, seu amigo, para entregar parte do armamento e não ser detido, noticia o Expresso.

Segundo informações veiculadas pelo JN, o MP já terá estabelecido contacto com a homóloga espanhola para verificar estas informações e abrir uma investigação no país basco.

Confrontado com a possibilidade do assalto de Tancos ter ligações terroristas, em declarações aos jornalistas num Centro de Acolhimento em Loures, o primeiro-ministro, António Costa, negou quaisquer ligações. Ainda assim, a PJ e o MP incluem o crime de terrorismo internacional no leque de crimes imputados aos arguidos.

A operação Húbris, que está a investigar este alegado encobrimento, começou em setembro com buscas e detenções entre a hierarquia da Polícia Judiciária Militar — incluindo o então diretor da PJM, coronel Luís Vieira. Foram também detidos elementos da GNR, que teriam colaborado na encenação.