O momento aconteceu esta segunda-feira de manhã: Marcelo Rebelo de Sousa interrompeu uma reunião para telefonar a Cristina Ferreira e, na qualidade de Presidente da República do país, desejou sorte no programa que a apresentadora estreou na SIC. Segundo o Público, a conversa serviu para “estabelecer alguma paridade” entre ela e o agora concorrente Manuel Luís Goucha — que dirige o programa da manhã na TVI –, a quem o Presidente deu uma entrevista na véspera do Natal.

Certo é que o momento está a ser criticado por quem considera que o telefonema é uma tomada de posição do Presidente na luta pelas audiências entre os dois canais. Mas certo também é que Marcelo Rebelo de Sousa não é o primeiro líder político a protagonizar momentos insólitos, e às vezes polémicos, pelo mundo fora. Lyndon B. Johnson, antigo presidente dos Estados Unidos, chegou a dar entrevistas enquanto estava sentado na sanita… com os jornalistas no interior da casa de banho. Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas, foi criticado por ter beijado uma mulher casada em palco. E Theresa May foi alvo de chacota por causa da dança robótica que protagonizou três vezes.

Recorde esses momentos.

Lyndon B. Johnson

Deu entrevistas enquanto estava sentado na sanita

A biógrafa Doris Kearns Goodwin contou à C-SPAN que chegou a entrevistar o antigo presidente norte-americano Lyndon B. Johnson, que governou entre 1963 e 1969, enquanto ele estava na casa de banho: “Eu estive no quarto dele várias vezes para conversar enquanto ele estava na casa de banho. Por algum motivo, ele não queria que a entrevista parasse. Se estivesse no quarto a conter-me porque ele ia à casa de banho, simplesmente chamava-me lá para dentro e dizia: ‘Entra, ainda não acabei o que queria dizer!’“, recordou a autora.

No livro “Lyndon Johnson and the American Dream”, Lyndon B. Johnson confessa que já tinha vivido momentos embaraçosos à conta desse hábito: “Um dos delicados Kennedyites [apoiantes de Kennedy] entrou na casa de banho comigo e depois achou totalmente impossível olhar para mim enquanto estava sentado na sanita. Parecia que nunca tinha visto aquelas partes do corpo antes. Lá estava ele, o mais longe de mim possível, de costas viradas o tempo inteiro a tentar continuar a conversa”.

Vladimir Putin

Derreteu quando recebeu um cachorro do Turquemenistão

Quando o presidente da Rússia celebrou 65 anos a prenda de aniversário de Gurbanguly Berdimuhammedow, presidente do Turquemenistão, foi um cachorro. Verny, que significa “Fiel” em russo, foi entregue a Vladimir Putin a 7 de outubro num encontro em Sochi. O insólito não era a natureza da prenda, já que essa não era a primeira vez que o presidente russo recebia cães de outros líderes. Insólita foi a forma como Putin pegou ao colo, abraçou e beijou o cachorro durante o encontro.

Vladimir Putin abraça e beija o cachorro oferecido pelo presidente do Turquemenistão. Créditos: AXIM SHEMETOV/AFP/Getty Images.

Antes do presidente do Turquemenistão, os líderes do Japão e da Bulgária também já tinham presenteado o presidente russo com cachorros: Yume, da raça Akita inu, nasceu em 2012 e foi oferecido a Putin pelo Japão depois da ajuda dada pela Rússia a seguir ao terramoto e tsunami de 2011. E Buffy, um cão da raça Karakachan, foi entregue pela Bulgária em 2010 durante a visita de Vladimir Putin ao país.

Mas de todos os animais de estimação que Vladimir Putin alguma vez teve, o favorito era a labrador retriever Konni, que o acompanhava desde 1999 e que morreu em 2014. Konni tornou-se famosa em 2007 quando interrompeu um encontro entre o presidente russo e Angela Merkel, chanceler alemã. Acontece que Merkel tem medo de cães e ficou visivelmente incomodada quando a labrador preta entrou na sala. Mais tarde, Putin admitiu ter pedido desculpa a Merkel porque não sabia da fobia dela.

Barack Obama

Cantou “Let’s Stay Together” de Al Green

Era uma campanha de angariação de fundos para fins solidários no Apollo Theater em Nova Iorque. Al Green, cantor norte-americano famoso pelas canções de gospel e música soul dos anos 70, já tinha estado em palco para uma atuação. Logo a seguir, Barack Obama também subiu ao palco para fazer um discurso. Foi então que o insólito aconteceu: o ex-presidente norte-americano começou a cantar “Let’s Stay Together” de Al Green e arrancou aplausos e gritos do público ao interpretar acappella apenas um dos versos da canção: “I’m so in love with you…”.

À conta desse momento, as vendas da música de Al Green dispararam durante a semana seguinte — faz agora sete anos. Em apenas sete dias, “Let’s Stay Together” foi descarregada 16 mil vezes na Internet e passou por uma subida de 490 por cento nas vendas. Mas, para Barack Obama, aquela era apenas uma pequena homenagem a Al Green: “Não se preocupe porque eu não consigo cantar como você, apenas quero mostrar a minha apreciação”, disse ele, dirigindo-se ao cantor.

Este foi apenas um dos momentos bizarros protagonizados por Barack Obama enquanto presidente dos Estados Unidos. A 9 de abril de 2012, o ex-presidente norte-americano deixou-se fotografar a fazer flexões durante um evento de Páscoa promovido na Casa Branca. Ainda antes de chegar à liderança dos Estados Unidos, Obama dançou “Crazy in Love” de Beyoncé e Jay-Z enquanto entrava no programa da apresentadora Ellen DeGeneres.

Theresa May

Entrou a dançar ABBA num congresso

Mas de momentos de dança percebe Theresa May, a primeira-ministra do Reino Unido que, há três meses, deu nas vistas por entrar num congresso do Partido Conservador a bailar ao som de “Dancing Queen” dos ABBA. Na verdade, essa tem sido uma banda de eleição de Theresa May ao longo da vida política dela: foi precisamente ao som de “Dancing Queen” que a britânica se apresentou no Desert Island Discs, um programa de rádio transmitido pela Rádio 4 da BBC, em 2014.

Aquela não era a primeira vez que Theresa May mostrava uns passos de dança ao público: já o tinha feito em agosto quando se juntou a Erik Solheim, chefe do gabinete das Nações Unidas para o ambiente, num campo da ONU em Nairobi. E ainda antes disso, na mesma viagem de três dias ao continente africano, a primeira-ministra britânica mostrou os dotes artísticos na visita a uma escola secundária na África do Sul. Os momentos musicais de Theresa May tornaram-se tão virais que a dança até já foi batizada em nome da sua criadora: “Maybot”.

https://observador.pt/videos/atualidade/o-maybot-esta-vivo-theresa-may-usou-o-humor-para-lidar-com-as-criticas/

Justin Trudeau

Fez ioga em cima de uma secretária

É uma fotografia de 2013, ainda Justin Trudeau não era sequer líder do Partido Liberal do Canadá, mas voltou a circular nas redes sociais três anos mais tarde quando o canadiano se tornou primeiro-ministro do país. Trudeau aparece com as mangas da camisa branca arregaçadas e dobras no fundo das calças a fazer a posição de ioga mayurasana (também conhecida como postura do pavão) numa mesa de trabalho.

A imagem foi registada poucas semanas antes de se tornar líder do Partido Liberal, mas não é a única em que Justin Trudeau demonstra capacidades atléticas. Numa fotografia publicada a 16 de agosto de 2015 no Instagram, Trudeau mostra-se a pegar uma criança pelos pés enquanto participa numa parada de orgulho gay no Canadá. Pouco tempo depois, também veio à tona da internet uma fotografia em que o primeiro-ministro conduz um uniciclo com a mesma perícia com que o pai, Pierre Elliott Trudeau, já o tinha feito.

Rodrigo Duterte

Beijou nos lábios uma filipina emigrante na Coreia do Sul

Tudo aconteceu numa visita oficial do presidente das Filipinas a Seul, na Coreia do Sul. Rodrigo Duterte tinha chamado ao palco duas emigrantes filipinas para entregar um livro a cada uma delas. À primeira, Rodrigo Duterte beijou no rosto. À segunda pediu um beijo nos lábios enquanto o público apoiava a ideia com aplausos. A mulher chama-se Bea Kim, é casada, tem dois filhos e garantiu que “não houve malícia” no beijo: a única coisa que queria era “divertir-se e deixar os outros filipinos ali presentes felizes”.

A resposta dos críticos é que não foi tão positiva. Risa Hontiveros, senadora do partido da oposição, descreve o momento como “uma exibição desprezível de sexismo e um grave abuso de autoridade”. Para ela, Rodrigo Duterte agiu como “um rei feudal que pensa que por ser presidente pode fazer o que lhe apetece”. A verdade é que o beijo de Duterte não foi o momento mais polémico da vida política do presidente filipino: em 2016, comentando a violação de uma missionária australiana enquanto visitava uma prisão filipina, disse que esse crime tinha sido “um desperdício” e ele “devia ter sido o primeiro” a abusar dela.

https://observador.pt/videos/atualidade/o-polemico-beijo-na-boca-arrancado-pelo-presidente-filipino-a-uma-mulher-casada/

Emmanuel Macron

Repreendeu um adolescente que não o tratou por “senhor”

Foi em junho do ano passado que Emmanuel Macron, presidente de França, cumprimentou o público durante uma cerimónia de homenagem aos veteranos de guerra em Paris. Ao passar por um grupo de adolescentes, foi abordado por um que queria conversar com o líder francês: “Tudo bem, Manu?”. Só que Emmanuel Macron não gostou, tanto que voltou atrás para dar uma reprimenda ao rapaz: “Estás aqui, numa cerimónia oficial, por isso comportas-te corretamente. Podes armar-te em parvo, mas hoje é a Marselhesa [hino francês] e o Hino da Resistência”.

Mas não se ficou por aí. Conquistada a atenção do adolescente, Emmanuel Macron prosseguiu: “No dia em que fizeres uma revolução, obténs primeiro um diploma e aprendes a sustentar-te. Só depois darás lições aos outros”. Depois deu indicações ao rapaz sobre como é que se deveria dirigir a ele: “Deves chamar-me presidente ou então senhor”. Macron continuou a cumprimentar o resto da população, mas o sermão não se ficou por aí. No Twitter, Macron publicou o momento em que se encontrou com os jovens e escreveu: “O respeito é o mínimo na República, especialmente no dia 18 de junho, na presença dos companheiros da libertação”.

Donald Trump

Atirou papel higiénico ao público em Porto Rico

O atual presidente norte-americano esteve em Porto Rico, em outubro de 2017, durante apenas cinco horas para distribuir mantimentos às vítimas do furacão Maria. Até aqui, tudo normal. O insólito, e as críticas também, só vieram quando o presidente norte-americano atirou alguns desses mantimentos pelo ar. Voaram latas de frango, lanternas e, a certa altura, até papel higiénico. Enquanto o fazia, chegou a tirar uma selfie. E disse: “Há muito amor nesta sala. Ótimas pessoas”.

Tudo aconteceu na igreja evangélica de San Juan, capital de Porto Rico. Alguns desses objetos acabaram sujos no chão: se algumas pessoas estavam de mãos esticadas na tentativa de apanhar alguns dos bens vindos dos Estados Unidos, outras distraíram-se a filmar Donald Trump naquele momento insólito. À conta disso, duas coisas surgiram imediatamente na Internet: em primeiro lugar, os críticos que compararam Trump e Obama — e preferiram o segundo –, e depois os memes.