O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse esta quinta-feira que o objetivo do seu governo para as eleições europeias é que as “forças anti-imigração” sejam a maioria em todas as instituições da União Europeia (UE).

Orban disse também ter “grandes esperanças” em relação à cooperação entre a Itália e a Polónia, cujos governos são ambos anti-imigração, e que continua a ver o vice-primeiro-ministro italiano e líder da Liga (nacionalista), Matteo Salvini, como “um herói” pelas suas políticas anti-imigração.

O primeiro-ministro húngaro, que em abril foi eleito para um terceiro mandato consecutivo com uma campanha centrada no discurso anti-imigração, disse ainda que haverá duas civilizações na Europa, uma “que constrói o seu futuro numa coexistência mista islâmica e cristã” e outra, na Europa central, apenas cristã.

Esta é uma questão que está a transformar radicalmente a política europeia, que está a definir o processo político na Europa”, disse Orban numa rara conferência de imprensa em Budapeste.

“As estruturas partidárias, tradicionalmente de esquerda ou de direita, estão a ser dominadas por uma dimensão diferente, a dos a favor da imigração ou contra a imigração”, acrescentou.

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Para as europeias de maio próximo, Orban definiu como objetivo os partidos anti-imigração alcançarem a maioria no Parlamento Europeu, depois na Comissão Europeia, e, à medida que se forem realizando eleições nacionais nos Estados-membros, no Conselho Europeu.

Sobre o encontro de quarta-feira em Varsóvia entre Salvini e o líder do partido nacionalista no poder na Polónia (PiS), Jaroslaw Kaczynski, o primeiro-ministro húngaro, citado pelo jornal The Guardian, disse que “o eixo Varsóvia-Roma é um dos desenvolvimentos mais maravilhosos do ano”.

O partido de Viktor Orban, o Fidesz, faz parte do Partido Popular Europeu (centro-direita), dentro do qual são vários os líderes políticos que defendem a expulsão da formação húngara por promover políticas contrárias aos valores europeus.

Sobre isso, Orban disse esta quinta-feira que pretende continuar como membro do PPE e, ao mesmo tempo, continuar a forjar alianças com partidos nacionalistas.

“Enquanto estamos, e espero que seja por muito tempo, continuaremos a ser leais à nossa família partidária. Ao mesmo tempo, no que diz respeito à imigração, ela não conhece limites partidários. Estou farto de que o PPE, quando procura aliados, só olhe para as forças pró-imigração”, disse.