O PCP recusou “alimentar a corrente” a propósito dos incidentes registados em Lisboa e Setúbal nos últimos dias, considerando que fazê-lo seria “animar um ambiente de insegurança e intranquilidade”.

“O PCP não alimentará a corrente dos que, a propósito de factos concretos e pontuais, agem para os generalizar. Fazê-lo seria animar um ambiente de insegurança e intranquilidade”, lê-se num comunicado do PCP enviada à comunicação social. Na nota, os comunistas recordam que a PSP já abriu um inquérito aos acontecimentos ocorridos, no domingo, em Vale de Chícharos, conhecido por Bairro da Jamaica, no Seixal, entre a PSP e moradores, de que resultaram cinco civis e um polícia feridos, sem gravidade.

Eventuais situações de recurso a violência não justificada, naturalmente condenável e que deve ser prevenida, não podem contribuir para desvalorizar a ação das forças de segurança e dos seus profissionais”, acrescenta ainda o PCP.

A PSP reforçou esta terça-feira o policiamento com elementos da Unidade Especial de Polícia na Bela Vista, em Setúbal, e em algumas zonas de Loures e Odivelas (distrito de Lisboa), após incidentes registados durante a noite de segunda-feira, com o lançamento de cocktails Molotov contra uma esquadra e o incêndio de caixotes e de várias viaturas. A PSP e os bombeiros voltaram a ter que apagar fogos em caixotes do lixo na noite de terça-feira na Bela Vista, em Queluz e Massamá.

Em comunicado, a PSP informou que continua as investigações a estes incidentes, “nada indiciando, até ao momento, que estejam associados à manifestação” de protesto contra uma intervenção policial no bairro da Jamaica, no Seixal (Setúbal).

Após a manifestação em frente ao Ministério da Administração Interna na segunda-feira, em Lisboa, quatro pessoas foram detidas na sequência do apedrejamento de elementos da PSP por participantes no protesto, convocado para dizer “basta à violência policial” e “abaixo o racismo”. Este protesto ocorreu um dia depois dos incidentes no Bairro da Jamaica.

O Ministério Público e a PSP abriram inquéritos aos incidentes no bairro da Jamaica. Os quatro manifestantes detidos em Lisboa vão ser julgados sumariamente a 7 de fevereiro.