A deputada do PSD eleita pelo círculo de Leiria Margarida Balseiro Lopes questionou o Governo sobre o ponto da situação da reflorestação do Pinhal de Leiria, foi esta quinta-feira anunciado.

Na pergunta enviada ao Parlamento, Margarida Balseiro Lopes recordou que “ainda nem três meses tinham passado” desde a “tragédia” do incêndio que devastou o Pinhal de Leiria, em outubro de 2017, “quando, em janeiro de 2018, o primeiro-ministro se deslocou à Marinha Grande para afirmar a urgência de “plantar já este pinhal”, aproveitando a “oportunidade de, ao fazer, fazer diferente e melhor”.

Segundo a deputada e líder da JSD, António Costa anunciou “logo para julho desse ano um projeto de reflorestação e a iniciação dos cortes prioritários de árvores nos seis meses seguintes, e que dentro de um ano e meio, ou seja, julho de 2019, todo o processo estaria concluído”.

Passou-se julho, passou-se agosto, passou-se setembro e só em outubro de 2018 o Governo apresentou finalmente o seu projeto de reflorestação do Pinhal de Leiria. Nessa data, apenas 2.171 dos 9.476 hectares ardidos tinham sido alienados, sendo que, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), representava uma receita para o Estado de 11,6 milhões de euros”, acrescentou a deputada na pergunta enviada à Lusa

Margarida Balseiro Lopes afirmou que não entende a “razão do processo de alienação do material ardido ter demorado tanto”.

“Dizia em outubro o secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, que este processo não poderia ser de forma diferente, e que a madeira tem sido colocada no mercado ao ritmo a que este absorve. Não obstante, o Governo esquece-se da carta que o movimento cívico ‘O Pinhal é Nosso’ dirigiu aos deputados em setembro passado, alertando para a possibilidade de se estar a comprometer a regeneração natural de parte do pinhal, visto que à medida que as árvores tombam acabam por partir aquelas que nascem, retardando o processo de regeneração”, alertou ainda.

Além disso, há um perigo da “desvalorização da madeira, resultante do risco de deterioração e do seu apodrecimento”. Recordando que as últimas notícias relativas à reflorestação, em novembro de 2018, diziam respeito à “preparação do terreno para a plantação de pinheiro-manso e pinheiro-bravo numa área de 460 hectares”, a deputada social-democrata refere que “desde então, nada mais se soube”.

Em que estado se encontra a reflorestação do Pinhal de Leiria, para quando está planeado o seu término e qual a despesa associada ao projeto de reflorestação” foram as perguntas feitas por Margarida Balseiro Lopes

No documento, a social-democrata recordou ainda que, entre os dias 16 e 17 de outubro de 2017, diversos incêndios atingiram 36 concelhos da região Centro, provocando 49 mortos e cerca de 70 feridos, tendo destruído total ou parcialmente perto de 1.500 casas e cerca de meio milhar de empresas.

“O Pinhal de Leiria, uma das grandes heranças e do património natural do nosso país, mandado plantar pelo rei D. Afonso III no século XIII e aumentado substancialmente pelo rei D. Dinis I, teve 86% da sua área completamente incendiada, não tendo restado praticamente nada do mesmo.”