Chamava-se Dionisis Avranitakis, era padeiro, e ficou conhecido na Europa pela ajuda que ofereceu aos refugiados que chegavam esfomeados à costa da ilha grega de Kos durante a crise dos refugiados. Morreu este domingo aos 77 anos de idade.

Segundo conta o El Mundo, Avranitakis cozia e distribuía pães de graça aos refugiados que chegavam àquela ilha, mesmo antes de que o Governo grego tivesse tempo de reagir e arranjar abrigos para aquelas pessoas.

Avranitakis tornou-se assim num dos rostos da solidariedade do povo grego em plena crise humanitária. O seu trabalho chegou a valer-lhe o Prémio Sociedade Civil 2016 do Comité Económico e Social Europeu.

O padeiro que dava comida aos refugiados chegou até a ser retratado pelo presidente da Comissão Europeia como um exemplo. Durante o seu primeiro debate sobre o Estado da União, em 2015, Jean-Claude Juncker afirmou que “a Europa é o padeiro de Kos, que oferece o seu pão para aliviar a fome dos refugiados”.

A realidade dos refugiados não era uma realidade estranha para o padeiro. Avranitakis sabia o que era ser refugiado, uma vez que a sua família teve de deixar Esmirna depois da invasão turca em 1922, que deslocou um milhão de gregos daquela cidade da Turquia.

A ilha de Kos, na zona oriental do mar Egeu, foi uma das mais afetadas durante a crise dos refugiados, que começou em 2015. Dados da agência da ONU para Refugiados referentes a Maio de 2018 demonstram que o número de refugiados e migrantes na Grécia era de mais de 60 mil, incluindo cerca de 14 mil que permanecem nas ilhas gregas.