O PS, o Bloco de Esquerda e o CDS podem ganhar mais um eurodeputado nas próximas eleições europeias, enquanto a representação do PSD pode manter-se igual e a CDU pode perder um eurodeputado relativamente à composição atual. Uma nova sondagem da Aximage para o Correio da Manhã e o Jornal de Negócios divulgada esta segunda-feira nas suas edições em papel — a primeira desta empresa de sondagens desde que foram anunciados os cabeças-de-lista de PS e PSD — mostra que os dois partidos do “centrão” subiram em intenções de voto face à última sondagem (divulgada a 24 de janeiro), mas isso não se traduz em mais mandatos.  Já as mexidas em termos de intenções de voto são tão grandes em pouco mais de um mês, que a própria Aximage alerta para uma leitura com cautela dos resultados, uma vez que o nível de abstenção é elevado (está nos 61,8%).

Relativamente à sondagem de 24 janeiro, os partidos mantêm a mesma projeção em termos de eleição de deputados: o PS nove (mais um que os oito atuais), o PSD seis (ficaria igual), o Bloco de Esquerda dois (mais um que a composição atual), a CDU dois (menos um) e o CDS dois (mais um). Ou seja: esta distribuição de mandatos mostra diferenças face às eleições de 2014 (que se traduzem na composição atual), mas é exatamente igual à da sondagem de há um mês.

Mas, noutro campo, as intenções de voto registam grandes variações. O PS, que tem como cabeça-de-lista Pedro Marques, continua confortavelmente à frente, subindo de 32,6% para 34,1% (uma subida de 1,5 p.p.). A maior subida foi, no entanto, do PSD — que entretanto apresentou Paulo Rangel como cabeça de lista e, em pouco mais de um mês, subiu 5 pontos percentuais, passando dos 19,8% da sondagem divulgada a 24 de janeiro para os 24,8% da sondagem divulgada esta segunda-feira. Esta subida não significa, no entanto, mais mandatos.

A CDU, apesar de manter o mesmo número de deputados da anterior sondagem (perde um face a 2014 e à atual composição) tem uma descida significativa nas intenções de voto, passando dos 11,3% na sondagem de janeiro para 8,3% na sondagem divulgada esta segunda-feira (menos 3 pontos percentuais). Em sentido inverso está o Bloco de Esquerda que passa para terceiro partido mais votado, subindo quase 3 pontos percentuais (passa de 6,3% para 9,2%). Isso também não lhe vale uma subida em número de mandatos face à última sondagem (mas vale mais do que nas eleições de 2014).

Por fim, o CDS mantém-se relativamente estável, embora caia para partido menos votado. Mantém os dois eurodeputados da projeção de janeiro, mas cai para quinta força mais votada e tem uma descida ligeira de 0,3 pontos percentuais (passa de 8,4% para 8,1%).

Nesta projeção, tal como acontecia na sondagens de janeiro, os restantes partidos não elegem mais deputados, apesar da Aliança subir ligeiramente (de 1,2 para 1,8%) e de o PAN descer (de 2 para 1,4%). Quanto a Outros, Brancos e Nulos, a percentagem passa de uns residuais 3% para 7%. Já o número de indecisos cai bastante, passando de 15,3% para apenas 5,3%.

A sondagem da Aximage divulgada a 24 de janeiro foi realizada entre 4 e 7 de janeiro, tendo por base 608 entrevistas efetivas. Já a sondagem divulgada esta segunda-feira foi realizada entre 5 e 10 fevereiro, tendo por base 602 entrevistas efetivas. Paulo Rangel foi apresentado durante o período em que se realizou a sondagem e Pedro Marques já depois de terem sido feitas entrevistas, embora os candidatos já fossem dado como quase certos na imprensa no período em que se realizou a sondagem.