Rádio Observador

Salão de Genebra

Piech. Quando o bisneto faz melhor do que o bisavô

2.007

Ferdinand Porsche foi um reputado engenheiro alemão. Criou o Carocha, a pedido de Hitler e, mais tarde, a Porsche. Este ano, em Genebra, um seu bisneto provou que, quem sai aos seus, não degenera.

A Piëch Automotive é uma marca pequena e jovem, mas arrasta consigo o peso de uma das mais conhecidas famílias alemãs ligadas à indústria automóvel alemã. O seu fundador, Anton Piëch, é filho de Ferdinand Piëch, que durante nove anos esteve à frente do Grupo Volkswagen, e bisneto de Ferdinand Porsche, apelidado pelos oficiais nazis como o grande engenheiro alemão. E com razão, pois o bisavô de Anton Piëch concebeu o Carocha sob encomenda de Hitler, tendo igualmente participado activamente na produção de outros “brinquedos” do ditador, dos tanques de guerra Tiger e Panzer, às bombas voadoras V1. Isto já depois de ter fundado a Porsche em 1931, então ainda com o seu próprio nome.

Menos virado para as artes bélicas, Anton Piëch revelou no Salão de Genebra o Mark Zero, o primeiro produto da Piëch Automotive AG, com sede na Suíça, que montou em colaboração com Rea Stark Rajcic, cuja especialidade é design industrial. Constituída a empresa em 2017, eis que dois anos depois surge o primeiro veículo, um elegante coupé desportivo eléctrico com um certo ar rétro, estando previsto de seguida um SUV e uma berlina de quatro portas, não estando afastada a hipótese de vir a surgir um descapotável com base no Mark Zero e até uma pick-up.

O primeiro veículo da Piëch apresenta várias soluções curiosas, a começar por recorrer a um chassi em alumínio, para conter o peso, não em chapa prensada, mas maioritariamente a perfis extrudidos. Uma solução que faz lembrar o Space Frame da Audi de há uns anos atrás. Além do chassi diferente, as baterias (que lhe permitem anunciar 500 km de autonomia) são oriundas da China, mais especificamente da Desten, e anunciam o milagre de serem tão termodinamicamente eficientes que não necessitam de refrigeração líquida. Como se isto não bastasse, reivindicam por outro lado uma capacidade de recarga de 0%-80% em apenas 4 minutos e 40 segundos. Possível apenas com baterias sólidas, em que todos os especialistas estão a trabalhar, mas que ainda ninguém conseguiu apresentar um único exemplar funcional, pelo menos até hoje. E se a qualidade do site da empresa espelhar o seu potencial tecnológico, está tudo dito.

Produzido pelos 200 empregados da Piëch, o Mark Zero monta as baterias num túnel central longitudinal, para permitir sentar mais abaixo quem vai a bordo, e recorre a três motores eléctricos de 150 kW (204 cv) um motor assíncrono no eixo dianteiro e dois síncronos no traseiro, com a potência total útil a depender não da soma aritmética, mas sim da forma como o débito dos motores vai ser modulado.

Segundo o fabricante, está garantida uma velocidade máxima de 250 km/h e possibilidade de ir de 0 a 100 km/h em somente 3,2 segundos. O que não deixa de ser curioso, uma vez que esta capacidade de aceleração é melhor do que a Porsche anuncia para o futuro Taycan. Espreite aqui para ver como é o Piëch Mark Zero:

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