Um homem português a viver no Reino Unido — João Araújo — teve um ataque cardíaco quando estava a levar a mulher ao trabalho e, depois de ser encaminhado para o hospital, foi declarado morto pelos médicos. Mas viria a acordar quando estava a ser levado para a morgue, numa maca. Foi há 10 anos, mas ainda hoje o carteiro é conhecido pelo “homem milagre” cada vez que vai à cardiologia do hospital de Gloucester para o acompanhamento regular.

O portal GloucesterLive, um portal noticioso daquela região do Reino Unido, conta que a mulher de João Araújo ficou em pânico quando o homem, sentado ao volante, começou a revirar os olhos ao mesmo tempo que agarrava com toda a força o manípulo das mudanças. A reação da mulher foi meter o telemóvel do marido entre a língua e o céu da boca, para evitar que a língua se enrolasse para trás ainda mais.

Foi um vizinho, que viu a agitação e ouviu os gritos de socorro, que chamou uma ambulância. Chegada a equipa de emergência, o homem foi levado para o Gloucestershire Royal Hospital, onde os médicos fizeram tudo o que podiam para contrariar os efeitos do ataque cardiáco que lhe foi diagnosticado. João Araújo tinha, na altura, 38 anos — foi declarado morto após seis horas de tentativas de reanimação.

A história, que remonta a abril de 2009, seria apenas mais um caso de uma morte por doença cardíaca súbita — não fosse o facto de o homem ter voltado a acordar, 21 minutos depois de ter sido declarado morto, na maca em que estava a ser levado dos cuidados intensivos para a morgue.

Chegaram a ser dadas condolências à mulher e aos filhos, por parte da equipa hospitalar. E a mulher chegou a telefonar para os sogros, em Portugal, para lhes dar a notícia. Foi aí que um médico cardiologista voltou, a correr, para perto da família de João Araújo dizendo que, afinal, o homem estava vivo. Avisou, contudo, que os longos minutos em que João Araújo esteve clinicamente morto, sem oxigénio, poderiam significar que havia danos permanentes no cérebro.

Mas o homem, depois de três dias em coma, acabou por acordar, muito confuso e incapaz de formular respostas a perguntas simples. Era incapaz de reconhecer a família e amigos próximos, nos primeiros dias em que saiu do coma — um período do qual, hoje, João Araújo mal se recorda.

A partir da segunda semana, porém, a situação clínica começou a melhor de forma rápida, conta o GloucesterLive. Os médicos não têm explicação para o que aconteceu — mas decidiram colocar um dispositivo de regularização de batimento cardíaco, uma espécie de pace maker, para tentar garantir que a situação não se repita (ao mesmo tempo que regista o batimento cardíaco de João e envia leituras para os médicos que o acompanham). Ao fim de três semanas, estava de volta ao trabalho.

Alguns anos depois, em 2015, João desmaiou enquanto estava a descarregar mercadoria de uma carrinha. Passado algum tempo, levantou-se, continuou a trabalhar e só no fim do dia foi para casa, tomou um duche, e foi ao hospital — foi repreendido pelos médicos por não ter chamado uma ambulância, de imediato. Na altura, João trabalhava como camionista — hoje é carteiro, tem 48 anos, e é conhecido com o “homem milagre” na ala de cardiologia do hospital onde continua a ser seguido.

“Os médicos dizem que eu tenho demasiada energia. Não importa se estou com dores enormes, continuo a trabalhar”, diz João Araújo.