A oposição turca estava em vantagem, na contagem de votos das eleições municipais de domingo, na capital do país, Ancara, quando estavam contados 92% dos votos de uma votação considerada um teste ao Presidente Recep Erdogan.

Dados divulgados domingo à noite pela agência noticiosa estatal Anadolu adiantavam que o candidato comum dos partidos de oposição CHP (social-democrata) e Ivy (de direita), Mansur Yavas, liderava na capital, com 50,62% dos votos, contra 47,2% dos votos do candidato do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla original), no poder na Turquia.

A confirmar-se a derrota do AKP na capital política do país e onde foi construído um enorme palácio presidencial, o resultado será visto como um revés sem precedentes para Erdogan, que ganhou todas as eleições desde que o seu partido chegou ao poder em 2002.

Ancara e Istambul são controladas há 25 anos pelo partido de Erdogan e pelas formações islâmicas que o precederam, pelo que é para estas duas cidades que as atenções estão voltadas no desfecho destas eleições municipais.

Em Istambul, capital económica da Turquia, o candidato do AKP reivindicou vitória, mas a contagem de votos revelou que o resultado foi renhido.

Vencemos em Istambul. Agradeço ao povo de Istambul pelo mandato que me confiou”, referiu M. Yildirim quando estavam já apurados 99% dos boletins e que indicam um avanço de poucos milhares de votos face ao seu rival Ekrem Imamoglu.

Com o país a atravessar uma crise económica marcada por inflação e níveis de desemprego elevados, Erdogan não poupou esforços para que o seu partido saísse vencedor destas eleições.

Numa reação aos resultados já conhecidos, o Presidente da Turquia admitiu que o seu partido perdeu alguns municípios mas felicitou o desempenho do AKP, salientando que se mantém “com grande diferença como a primeira força política do país”.

Sem se referir a nenhum caso em particular, afirmou que houve “municípios que sofreram ganhos e outros que se perderam”, sendo isso o resultado “normal” de uma democracia.

“Isso é o normal. Isto é a democracia e temos de aceitar os resultados”, precisou.

O próximo ato eleitoral na Turquia está marcado para 2023.