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Paridade, ex-jornalistas e críticos na lista do CDS às legislativas

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Líder da Jota e secretário-geral do CDS estão dentro. Lisboa e Porto encabeçados por mulheres. Porto mete dirigentes locais. E as novidades? Sebastião Bugalho, Raquel Abecasis e Rui Lopes da Silva.

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Assunção Cristas já revelou ao Conselho Nacional as suas escolhas para a lista de candidatos a deputados pelo CDS. Entre as novidades conta-se a promoção do atual secretário-geral do CDS, Pedro Morais Soares, a deputado, a já esperada inclusão do líder da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos, na lista, e a chamada de dois independentes, que por sinal são ex-jornalistas: Sebastião Bugalho, de 23 anos, que vai em sexto lugar na lista de Lisboa, e Raquel Abecasis, ex-jornalista da Rádio Renascença, que já nas autárquicas tinha sido a candidata do CDS à junta de freguesia das Avenidas Novas – vai encabeçar o distrito de Leiria. Também o atual chefe de gabinete de Assunção Cristas, o ex-jornalista da RTP Rui Lopes da Silva, vai encabeçar o distrito de Coimbra.

As eleições são só em outubro, mas o objetivo é que a campanha para as Europeias, de maio, possa ser feita já com os candidatos às legislativas a fazerem-se valer no terreno. Os nomes que estão a ser apresentados esta noite na reunião do Conselho Nacional do CDS, que decorre na sede do partido, no Largo do Caldas, fazem parte da quota nacional que cabia à direção nacional e ainda vão ser votados. Ou seja, são as escolhas de Cristas, depois de “ouvidas as distritais”. Açores e Madeira indicam os seus candidatos.

Lisboa: A líder, a diretora de campanha, o secretário-geral e o jovem jornalista

Sem surpresas, a encabeçar a lista de Lisboa vai a líder do CDS, Assunção Cristas. Segue-se a atual deputada Ana Rita Bessa, uma aposta pessoal de Assunção Cristas que já a nomeou diretora de campanha para as legislativas, e João Gonçalves Pereira em terceiro lugar. Sendo João Gonçalves Pereira líder da distrital de Lisboa, e entrando desta forma na quota nacional da direção, Cristas ganha assim a possibilidade de nomear um sexto lugar nesta lista — já que o último Conselho Nacional, de janeiro, tinha atribuído a Cristas a possibilidade de escolher os cinco primeiros nomes por Lisboa.

É desta forma que, em sexto lugar, aparece o jovem Sebastião Bugalho, ex-jornalista e independente de 23 anos, atual colunista do Observador, que deixou recentemente o semanário Sol e o jornal i e trabalhou entretanto como consultor na câmara de Cascais (coligação PSD/CDS). Antes, no quarto lugar da lista aparece uma outra estreia: Pedro Morais Soares, secretário-geral do partido, que faz parte do inner circle de Cristas. Em quinto lugar fica Isabel Galriça Neto, deputada há três mandatos consecutivos.

Nas últimas eleições, em 2015, o CDS elegeu cinco deputados em Lisboa, porque ia em coligação com o PSD; mas nas eleições anteriores, em 2011, tinha elegido sete. Em sexto, curiosamente, tinha estado Adolfo Mesquita Nunes, atual coordenador do programa eleitoral do CDS e nome muito próximo de Cristas. Ou seja, o sexto lugar é considerado elegível.

Pedro Morais Soares (à direita, na foto) foi o nomes escolhido por Cristas para o cargo de secretário-geral do CDS

Porto: A vice, o Jota e os contestatários

O Porto era o distrito mais complicado, tendo estado envolvido numa guerra interna em junho do ano passado durante as eleições para a distrital: Cecília Meireles, vice-presidente de Cristas, encabeçava uma lista, mas foi derrotada pelos críticos da direção nacional. A lista vencedora foi a de Fernando Barbosa, eleito com a bandeira da possibilidade de ser o Porto a escolher os candidatos a deputados do CDS por aquele distrito. Foi com este panorama como ponto de partida que Cristas negociou os candidatos a deputados pelo Porto. Resultado? Um meio termo.

Cristas tinha sido mandata pelo Conselho Nacional (contra a vontade da distrital do Porto) para designar os três primeiros nomes do Porto: Cecília Meireles aparece assim como cabeça de lista e Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, como número dois. Em troca, Fernando Barbosa vai em terceiro lugar, ainda na quota nacional, e em quarto aparece a líder da concelhia do Porto, Isabel Menéres Campos, advogada e professora universitária, que em março do ano passado tinha ganho a concelhia numa luta renhida contra a lista apoiada por Cecília Meireles. Na lista de Isabel Menéres para a concelhia estavam nomes que tinham sido eleitos para o Conselho Nacional na lista de Filipe Lobo d’Ávila, crítico interno de Assunção Cristas.

Em 2015, pela coligação Portugal à Frente, o CDS elegeu três deputados no Porto, sendo que em 2011, quando concorreu sozinho, tinha elegido quatro.

Leiria, Faro, Coimbra: as novidades

Com Assunção Cristas a transitar para Lisboa, ficou livre o lugar de cabeça de lista em Leiria (distrito que encabeçou nas três últimas eleições). Lugar esse que vai ser ocupado pela independente Raquel Abecasis, ex-jornalista da Rádio Renascença que já tinha deixado o jornalismo para se juntar ao CDS nas autárquicas de 2017, altura em que foi candidata à junta de freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa. Para Faro, com a saída de Teresa Caeiro, que optou por ficar fora da vida política ativa ao fim de três mandatos consecutivos como deputada, entra o atual deputado João Rebelo (habituée na lista de Lisboa).

O lugar de cabeça de lista em Viana do Castelo, que em 2015 foi liderada por Abel Batista (entretanto expulso do CDS por se ter candidatado contra o partido nas autárquicas), fica para Filipe Anacoreta Correia (que neste mandato tinha entrado para o lugar deixado vago por Paulo Portas na lista de Lisboa). E Patrícia Fonseca passa a encabeçar Santarém, distrito pelo qual já tinha sido eleita em 2015, mas não como cabeça de lista. Todos estes são distritos onde o CDS habitualmente só elege um deputado.

Exceção feita para Coimbra, distrito onde o CDS não elegeu ninguém nas últimas eleições, mas onde conta eleger este ano (já que em 2011, quando concorreu sozinho, elegeu um deputado). É aqui que entra um dos nomes mais surpreendentes, Rui Lopes da Silva, ex-jornalista da RTP, que foi seu assessor quando Cristas foi ministra e que tem sido nos últimos anos um nome bastante próximo da líder do CDS, mas na qualidade de chefe de gabinete.

Rui Lopes da Silva tem sido chefe de gabinete de Assunção Cristas

Aveiro, Setúbal, Viseu e Braga: os repetentes

Aqui, não há surpresas. Os cabeças de lista por Aveiro, Setúbal, Viseu e Braga são os mesmos das últimas eleições: João Almeida, Nuno Magalhães, Hélder Amaral e Telmo Correia, respetivamente. Em Aveiro e Braga, o CDS elege por norma mais do que um deputado, sendo que cabe às distritais apresentarem a sua proposta. Atualmente António Carlos Monteiro é o segundo em Aveiro e Vânia Dias da Silva a segunda em Braga.

Europa e Fora da Europa: uma jovem e um dissidente do PSD Madeira

São círculos onde o CDS não costuma eleger, mas também aqui há novidades. Pelo círculo Fora da Europa, o CDS vai contar com um dissidente do PSD: Gonçalo Nuno Santos, histórico militante do PSD Madeira que foi durante os últimos 26 anos diretor do Centro das Comunidades Madeirenses, afeto ao governo regional. Para o círculo da Europa, o CDS foi buscar Melissa da Silva, uma jovem filha de emigrantes que tem uma forte presença na comunidade portuguesa em Paris.

Interior do país, os habitualmente não elegíveis

Em Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Portalegre e Vila Real o CDS não tem a tradição de conseguir eleger deputados, mas vai continuar a tentar. Eis os cabeça de lista, escolhidos por Assunção Cristas: Inês Palma Teixeira (Beja), Nuno Moreira, filho de Adriano Moreira (Bragança), Assunção Vaz Pato por Castelo Branco, Paulo Pessoa Carvalho, empresário ligado à tauromaquia e à Protoiro, por Évora, Henrique Monteiro (Guarda), José Manuel Rato Nunes (Portalegre) e Patrick Alves, da distrital de Vila Real.

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Igualdade de Género

O CDS fecha-se na casa de banho /premium

Miguel Pinheiro
1.057

À esquerda, há muitos devaneios relativos à igualdade de género que o CDS podia criticar. Mas, neste caso, preferiu criar um mundo de fantasia para poder ficcionar uma guerra cultural que não existe.

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