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Incêndios

Casa de Almeida Garrett que ardeu no Porto ia ser Museu do Liberalismo

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Há um mês, a Câmara Municipal do Porto tinha decidido avaliar a compra da casa onde nasceu Almeida Garrett e transformá-la num Museu do Liberalismo. Este sábado o prédio devoluto ardeu totalmente.

A casa onde nasceu Almeida Garrett ardeu completamente

Miguel Marques/ Global Imagens

A casa onde nasceu o escritor Almeida Garrett, no Porto, foi esta manhã de sábado completamente consumida pelas chamas de um fogo que deflagrou ainda durante a madrugada. O incêndio, de causas desconhecidas, ocorre um mês depois de a Câmara Municipal anunciar estar a ponderar adquirir o edifício que já se encontrava devoluto para fazer nascer ali o Museu do Liberalismo.

Ao Público, a Câmara Municipal do Porto disse que já esta semana tinha feito uma proposta de compra do imóvel e iniciado o processo de classificação da casa como de interesse municipal. No caso de venda do prédio, a autarquia terá direito de preferência.

Garrett nasceu nesta casa em 1799, e aqui viveu durante cinco anos. Atualmente o prédio estava devoluto e acabou por ser completamente consumido pelo fogo que se iniciou às 1h56. No combate ao fogo, dois bombeiros sofreram ferimentos e foram transportados para o Hospital de Santo António, como noticiou o Jornal de Notícias. Fonte da PSP, citada pelo Notícias ao Minuto, disse que uma idosa que vivia num prédio contíguo também “entrou em pânico e precisou de ser assistida no local”. Foi ainda necessário “retirar vários veículos que se encontrava estacionados no local” para poder fazer o combate às chamas.

O edifício tinha quatro pisos e duas fachadas: uma para a rua Doutor Barbosa de Castro e outra para a rua das Virtudes. Nenhum dos outros prédios da rua foram afetados pelo incêndio, garantiu fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto ao Observador. “As autoridades competentes já se encontram a investigar a causa do incêndio”, disse à Lusa o comandante dos Bombeiros Sapadores do Porto, Carlos Marques.

Esta manhã de sábado, continuavam as operações de rescaldo e a remoção dos escombros com 12 operacionais, confirmou ao Observador fonte do Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto. No combate às chamas estiveram 13 veículos e 44 operacionais do Batalhão de Sapadores Bombeiros, Bombeiros Portuenses e Bombeiros Voluntários do Porto, INEM e PSP, informou o CDOS Porto.

Uma casa de devoluta e uma lápide de homenagem

A 26 de março, a Câmara do Porto aprovou por unanimidade uma recomendação da CDU para tentar adquirir a casa onde nasceu Almeida Garrett e ali instalar um pólo do Museu do Liberalismo, como então noticiou o Público.

Vamos, primeiro, perceber o valor que a casa tem. Depois, entrar em contacto com os proprietários e perceber até que ponto conseguiremos chegar a um bom desfecho”, afirmou o presidente da autarquia, Rui Moreira, na reunião camarária aberta ao público.

A ideia era assinalar a revolução de Agosto de 1820. “Estamos a preparar comemorações condignas do aniversário da Revolução Liberal, que foi um marco fundamental em Portugal e é até, na Europa, um facto iniciador do constitucionalismo. Temos um grupo de trabalho presidido por Vital Moreira, estando em preparação exposições e um conjunto de colóquios nacionais e internacionais”, disse então o autarca, fazendo crer que esse acervo serviria para o arranque daquele espaço cultural.

A Câmara Municipal do Porto confirmou, ao Jornal de Notícias, que ainda está interessada em comprar o prédio do qual restaram apenas as fachadas depois do incêndio deste sábado. Além disso, a autarquia pretende declarar o edifício de interesse municipal. À Lusa, a vereadora Ilda Figueiredo lamentou a “triste coincidência” da casa onde nasceu Almeida Garrett ter ardido precisamente um mês após a Câmara do Porto ter aprovado, por unanimidade, a proposta.

Lamento muito a triste coincidência e mantenho a posição que foi aprovada por unanimidade pela Câmara do Porto, de aproveitar o que resta do edifício, mas naturalmente vai ter que se analisar face ao que aconteceu”, declarou a vereadora Ilda Figueiredo, assumindo-se “chocada com a tragédia” na casa que viu nascer um vulto da “cultura portuense e nacional”.

Almeida Garrett nasceu e viveu durante cinco anos no n.º 37 da rua Dr. Barbosa de Castro. Em 1864, 60 anos depois de ter dali saído e 10 anos depois da sua morte, a Câmara Municipal do Porto colocou uma lápide neoclássica no primeiro andar da casa onde se podia ler: “Casa onde nasceu aos 4 de Fevereiro de 1799 João Baptista da Silva Leitão Almeida Garrett”. A lápide era uma das várias homenagens ao escritor e político na cidade do Porto — há estátua do escritor na Avenida dos Aliados e a biblioteca municipal  também ganhou o seu nome — , segundo a Plataforma Porto dos Museus.

O edifício tinha sido construído na segunda metade do século XVIII, durante a reforma urbanística dos Almadas, e possuía os elementos típicos das casas dessa altura, como as paredes finas como se nota pelo espaço entre as grandes janelas nas fachadas, relata a plataforma. Neste momento, a casa pouco mais tinha para mostrar que a dita lápide. Estava devoluta e este sábado ardeu completamente.

Atualizado, dia 28 de abril, às 12 horas

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