O julgamento de Rosa Grilo e o amante António Joaquim, acusados pela morte do triatleta Luís Grilo, marido da arguida, já tem datas marcadas, apurou o Observador junto de fonte ligada ao processo. O julgamento irá decorrer no Tribunal de Judicial da Comarca de Lisboa Norte, em Loures, e a primeira sessão é no próximo dia 10 de setembro.

Uma vez que as defesas prescindiram da fase de instrução, já há seis sessões agendadas até outubro, marcadas em quatro dias diferentes. No total, serão ouvidas, pelos menos, 40 testemunhas. Só depois será marcada a leitura de sentença.

  • 1o de setembro às 9h15: identificação dos arguidos e interrogatório, caso Rosa Grilo e António Joaquim queiram prestar declarações;
  • 17 de setembro às 9h15: inquirição de dez testemunhas indicadas na acusação;
  • 17 de setembro às 14h00: inquirição de dez testemunhas indicadas na acusação;
  • 24 de setembro às 9h15: inquirição de dez testemunhas indicadas na acusação;
  • 24 de setembro às 14h00: inquirição de dez testemunhas indicadas na acusação;
  • 17 de outubro às 9h15: inquirição das restantes testemunhas indicadas na acusação, inquirição das testemunhas de defesa e alegações finais.

A pedido do MP, o julgamento dos alegados autores do homicídio de Luís Grilo será realizado com tribunal de júri. O sorteio para a pré-seleção dos jurados será realizado no próximo dia 21 de maio, em audiência pública, no Tribunal de Loures — a primeira fase do total de cinco até se chegar aos oito jurados finais: quatro efetivos e quatro suplentes.

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No dia 21 de maio, será feito um sorteio no qual são selecionados 100 cidadãos, de forma totalmente aleatória, a partir dos cadernos eleitorais — neste caso, das freguesias da Comarca de Lisboa Norte que integram os municípios da Lourinhã, Cadaval, Torres Vedras, Alenquer, Azambuja, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira, Loures e Odivelas. Estes 100 terão depois de responder a um inquérito para excluir todos aqueles que não preencham os requisitos previstos. Depois, faz-se um novo sorteio, no qual se selecionam 18 pessoas.

Os 18 selecionados são depois inquiridos individualmente “quanto à existência de impedimentos e causas de escusa que pretendam invocar”. “O Ministério Público e o defensor do arguido podem recusar, cada qual, dois jurados sem explicitação de motivação. Se houver assistente, este pode recusar um jurado e o Ministério Público outro”, lê-se no Código Penal. Exclusões feitas, o juiz presidente do tribunal de júri — a quem cabe a última decisão — elabora uma ata, onde faz a “identificação dos excluídos e o elenco final dos apurados”.

Arguidos arriscam pena de prisão máxima

Rosa Grilo e o amante António Joaquim estão acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de homicídio qualificado agravado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida. O MP entendeu que o homicídio terá sido praticado “entre o fim do dia 15 de julho de 2018 e o início do dia seguinte, no interior da residência do casal”. “Por forma a ocultar o sucedido, ambos os arguidos transportaram o cadáver da vítima, para um caminho de terra batida, distante da residência, onde o abandonaram”, lê-se na acusação a que o Observador teve acesso.

Os dois arguidos foram detidos no dia 26 de setembro do ano passado, por suspeitas de serem os autores do homicídio de Luís Grilo, tendo-lhes sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva três dias depois. Mas o caso veio a público muito tempo antes, quando, a 16 de julho, Rosa Grilo deu conta do desaparecimento do marido às autoridades, alegando que o triatleta tinha saído para fazer um treino de bicicleta e não tinha regressado a casa.

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Seguiram-se semanas de buscas e de entrevistas dadas por Rosa Grilo a vários meios de comunicação  — nas quais negava qualquer envolvimento no desaparecimento do marido, engenheiro informático de 50 anos. O caso viria a sofrer uma reviravolta quando, já no final de agosto, o corpo de Luís Grilo foi encontrado, com sinais de grande violência, em Álcorrego, a mais de 100 quilómetros da localidade onde o casal vivia — em Cachoeiras, no concelho de Vila Franca de Xira. Agora, as buscas davam lugar a uma investigação de homicídio e, novamente, Rosa Grilo foi dando entrevistas em que negava qualquer envolvimento no, agora, assassinato do marido.

A prova recolhida pela PJ  levou esta força policial a concluir que Luís Grilo foi morto a tiro, no quarto do casal, por Rosa Grilo e António Joaquim, e deixado depois no local onde foi encontrado. O triatleta terá sido morto a 15 de julho, por motivações de natureza financeira e sentimental. A tese de Rosa Grilo é, no entanto, diferente: segundo as declarações que prestou no primeiro interrogatório — e que veio a reforçar em várias cartas que enviou a partir da prisão para meios de comunicação — Luís Grilo terá morrido às mãos de três homens (dois angolanos e um “branco”) que lhe invadiram a casa em busca de diamantes.

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