Psiquiatria

Noa conseguiu morrer aos 17 anos depois de várias violações na infância e uma recusa de eutanásia

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Noa Pothoven tinha 17 anos e conseguiu um dos seus objetivos: terminar com o sofrimento. A jovem holandesa morreu na sala de casa, rodeada pela família, depois de anos de sofrimento.

(Artigo atualizado às 14:30 desta quarta-feira com informação sobre as dúvidas que existem sobre a causa da morte da jovem holandesa)

A notícia foi veiculada por órgãos de informação em todo o mundo: Noa Pothoven morreu no domingo depois de ser eutanasiada. Hoje as dúvidas sobre a causa da morte da jovem holandesa ecoam pelos jornais depois das questões levantadas por Naomi O’Leary, correspondente do Politico, no twitter.

Há meios de comunicação que estão a substituir a palavra “eutanásia”, nas notícias de terça-feira, pela expressão “suicídio assistido” ou “suicídio”, numa tentativa de difundir a outra versão da morte da jovem. Os novos relatos dão conta que a jovem morreu em consequência da falta de alimentação, mas continua sem ser claro o que aconteceu.

Como morreu afinal Noa? A jovem já tinha pedido a eutanásia clínica Levenseind ​​em Haia, mas recebeu de resposta que teria de esperar até o seu cérebro estar totalmente desenvolvido, aos 21 anos, para fazer novo pedido. Foi a própria jovem a anunciar no Instagram que morreria “dentro de 10 dias”, apontando aparentemente para uma data concreta. As informações hoje divulgadas dão conta que a jovem terá morrido à fome e à sede, quando por iniciativa própria deixou de se alimentar, mas a dúvida persiste.

Apesar de não ser claro como terá morrido Noa Pothoven, o que é certo é que a jovem faleceu no domingo antes de completar sequer os 18 anos de idade.

Noa Pothoven foi abusada a primeira vez quando tinha apenas 11 anos, numa festa da escola. No ano seguinte foi novamente violentada, numa festa de amigos. Dois anos mais tarde, com 14 anos, dois homens violaram-na no bairro de Elderveld em Arnhem. Durante anos ninguém soube de nada e Noa carregou consigo o peso das agressões.

Os pais descobriram por um mero acaso, quando encontraram no seu quarto um envelope plástico com cartas de despedida da jovem para a família e amigos, contou a mãe ao jornal de Gelderlander em dezembro de 2018.

Noa deixou de se alimentar, sofria de stress pós-traumático, depressão e anorexia. Lançou uma biografia, em 2016, “Ganhar ou Aprender” onde descreve as violações de que foi alvo nos diferentes momentos e confessa que as escondeu “por vergonha e medo”.

A primeira vez que abordou a clínica Levenseind ​​em Haia, sem que os pais soubessem, para perguntar se era elegível para eutanásia recebeu um “não”.

“Eles acham que sou muito jovem para morrer. Eles acham que eu deveria completar o tratamento do trauma e que o meu cérebro deve primeiro estar totalmente desenvolvido. Isso só acontece aos 21 anos. Estou arrasada, porque não posso esperar tanto”, explicava ao jornal.

Entre o primeiro pedido e a morte da jovem passou cerca de um ano. No entretanto foi submetida a uma série de tratamentos de eletroconvulsoterapia e numa página de crowdfunding que criou e que ainda hoje se mantém ativa (falta um pouco mais de 17 dias para terminar) dizia “não querer desistir”.

Na página, as doações e comentários de ânimo deram lugar a mensagens de pesar e lamentos pela partida da jovem. Conseguiu morrer no domingo, rodeada de família e amigos na sala de casa.

Durante a sua curta vida foi internada várias vezes, admitida em clínicas de reabilitação e sujeita a internamentos onde apenas usava um vestido de um tecido forte para que não pudesse rasgá-lo e usá-lo para tirar a própria vida. Foi alimentada através de uma sonda enquanto aguardava a admissão numa clínica de tratamento para distúrbios alimentares.

No final do livro deixava a esperança em aberto para os tratamentos de eletroconvulsoterapia, aos quais dava a oportunidade de lhe “trazerem paz”, mas não trouxeram. Num último post no instagram a jovem dizia que “a luta estava terminada”.

Vou direita ao ponto: no máximo dentro de 10 dias morrerei. Depois de anos de luta, está terminada. Deixei de comer e de beber e depois de difíceis confrontos ficou decidido que posso morrer porque o meu sofrimento é insuportável”, podia ler-se no post entretanto eliminado.

Foi a irmã que confirmou, no Instagram, a partida da jovem de 17 anos, seis anos depois de ter sido violada pela primeira vez.

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