Rádio Observador

Degelo

A fotografia que mostra o degelo na Gronelândia

2.638

Imagem foi tirada por um investigador dinamarquês. 712 000 km2 da superfície da Gronelândia derreteu a 12 de junho, refere instituto norte-americano.

A foto, explica o investigador, tem um valor simbólico e não científico

Steffen M Olsen/Twitter

Autor
  • Beatriz Ferreira

Todos conhecemos a frase: uma imagem vale mais do que mil palavras. Prova disso é a fotografia, tirada pelo climatólogo dinamarquês Steffen M. Olsen no último dia 13, numa missão no noroeste da Gronelândia. Nesse dia, segundo o The Guardian, o investigador foi incumbido de uma difícil tarefa: juntamente com cães-de-trenó, recuperar os dispositivos de medição que tinham sido colocados no gelo para a missão Ação Azul (Blue Action). O problema é que esse mesmo equipamento estava escondido debaixo de um lago que, por sua vez, ocultava uma camada de gelo a derreter, com uma espessura de 1,2 metros.

O resultado é a fotografia que se está a tornar viral, tirada  no fiorde (uma entrada de mar entre montanhas altas e rochosas) de Inglefield Bredning. “As comunidades na Gronelância contam com o gelo para transporte, caça e pesca. Eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície, exige uma capacidade de previsão mais apurada no Ártico”, diz Steffen M. Olsen, na rede social Twitter.

Segundo o investigador, a fotografia documenta um “dia atípico” e frisa que a imagem é “mais simbólica do que científica para muitos”.

Dados do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo, nos Estados Unidos da América, revelam que, aproximadamente, 712 000 km2 da superfície da Gronelândia derreteram a 12 de junho, um número superior ao registado no mesmo dia de 2018.

Ruth Mottram, cientista do Instituto Dinamarquês de Meterologia, disse ao The Guardian: “Este ano, a expedição para recolher os instrumentos – com auxílio de cães-de-trenó, ainda a forma mais prática para nos deslocarmos na região nesta altura do ano – deparou-se com muita água parada no gelo”. A investigadora avançou ainda que “o gelo aqui [na Gronelândia] forma-se de um modo bastante fiável todos os invernos e é muito espesso”, mas que, na semana passada, se registaram “temperaturas muito quentes na Gronelândia e, de facto, no resto do Ártico, impulsionadas pelo ar mais quente que se deslocava de sul. ” O instituto registou 17.3 graus Celsius na última quarta-feira (4.4 graus acima do normal) e 15 graus na quinta-feira, temperaturas muito altas para a Gronelândia, mesmo no Verão.

Mottram explicou ainda que, noutras áreas, a água é drenada através de fissuras no gelo, o que impede que se acumule à superfície. Mas o contrário aconteceu na fotografia de Olson, uma vez que o gelo é, naquela zona, mais espesso.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)