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França recua na libertação de ex-líder da ETA. Josu Ternera foi detido de novo e aguarda extradição para Espanha

A ordem de libertação sob controlo judicial de Josu Ternera não durou muito. O ex-líder da ETA não chegou a ser sequer libertado antes da nova detenção enquanto aguarda a extradição para Espanha.

Josu Ternera foi condenado duas vezes à revelia em França enquanto estava na clandestinidade, uma a oito anos de prisão e a outra a sete

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  • Agência Lusa

Os dois filhos de José Antonio Urrutikoetxea — nome verdadeiro — esperavam a saída do pai da prisão, de acordo com a decisão divulgada esta quarta-feira pelo Tribunal de Recursos de Paris, que ordenou a libertação da prisão sob controlo judicial, mas Josu Ternera acabou mesmo por sair, escoltado por vários agentes, diretamente para a Direção Geral de Segurança Interna (DGSI). Ou seja, para já, a liberdade ainda não é uma realidade.

Em causa está o pedido de extradição que Espanha fez. O El País adianta que em causa está um mandado de detenção europeu que diz respeito ao atentado perpetrado pela ETA em Saragoça, em 1987, que causou 11 mortos.

À agência EFE, uma fonte judicial esclarece que as autoridades dispõem de 48 horas para notificar Josu Ternera do mandado de detenção. Depois de notificado, deverá comparecer novamente em tribunal onde será decidido se fica em liberdade ou regressa à prisão.

Detido no passado mês de maio nos Alpes franceses, José Antonio Urrutikoetxea, de 68 anos, ia ser libertado sob a condição de entregar o passaporte, não poder sair de França e de se apresentar, uma vez por semana, numa esquadra no centro de Paris.

De acordo com os meios de comunicação espanhóis, Josu Ternera tem cancro e foi detido em maio, depois de 16 anos em fuga, no parque de estacionamento de um hospital francês onde estaria a ser tratado, tendo sido transferido para a prisão de La Santé, em Paris.

O tribunal não explicou a decisão de o libertar, indicando apenas que a saída devia ser imediata. Os advogados de Urrutikoetxea disseram à imprensa que a libertação não se deve à doença, apesar de durante as alegações na sessão terem dito que não era possível mantê-lo atrás das grades “tendo em conta o seu estado de saúde”.

Segundo o próprio, no dia em que foi detido, ia ser operado à próstata, tinha perdido oito quilos em três semanas e o médico que o ia operar avisou que a intervenção cirúrgica deveria acontecer no prazo máximo de um mês, já ultrapassado.

Esta manhã a informação era a de que o independentista iria ficar em casa do magistrado Louis Joinet, ex-conselheiro do antigo presidente francês, François Mitterrand, que se ofereceu para lhe dar guarida, segundo disse à imprensa um dos advogados, Laurent Pasquet-Marinacce.

Urrutikoetxea jurou cumprir as obrigações impostas pelo tribunal, dizendo que no país Basco “a palavra é sagrada”, enquanto o seu filho, Egoitz, afirmou que com a libertação do seu pai não só se respeitou o Direito, mas que o tribunal teve também em conta a situação política no país Basco.

“É um forma de pôr fim à negação do processo colocado em marcha no país Basco há mais de 10 anos” e de contribuir “para que não se repitam os eventos do passado”, defendeu.

Josu Ternera foi condenado duas vezes à revelia em França enquanto estava na clandestinidade, uma a oito anos de prisão e a outra a sete, tendo recorrido dos dois casos, cujas sessões ainda não começaram.

Além disso, a justiça espanhola já tinha emitido um mandato de captura europeu contra ele, pelo ataque ao quartel da Guardia Civil de Saragoça, em 1987, embora os seus advogados afirmem que não foi ainda notificado.

Josu Antonio Urrutikoetxea Bengoetxea foi o chefe da ETA (Euskadi Ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade) de 1977 a 1992, inspirando uma estratégia de atentados mortíferos, tendo sido também o promotor das negociações de paz com o Estado espanhol, antes de ser demitido da direção do grupo, em 2006.

Foi preso pela primeira vez em França, em 1989, com uma granada na mão e documentos falsos, condenado a 10 anos de prisão e depois expulso para Espanha, após a libertação.

Eleito em 1998 para o Parlamento Autónomo Basco, foi nomeado em 1999 como um dos três negociadores da ETA para o processo de paz, que acabou por ser abortado.

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