Joy Harjo foi nomeada poeta laureada dos Estados Unidos da América. A escritora e compositora nascida no estado do Oklahoma é a primeira nativo-americana a ser reconhecida como poeta oficial no seu país. Sucede a Tracy K. Smith, num cargo que tem a duração de apenas um ano (de outubro a maio).

Em declarações ao The Guardian, a autora de 68 anos lembrou que há anos que anda na estrada “como embaixadora não-oficial da poesia”. “Sou a única poeta ou nativo-americana que muitos viram, conheceram ou ouviram falar na vida. Introduzi a poesia nativo-americana a muitas audiências de poesia e a muitas audiências que não esperavam que a poesia fosse poesia”, disse.

A nomeação foi anunciada esta quarta-feira pela Biblioteca do Congresso, que, em comunicado, frisou o facto de Harjo ter ajudado a contar uma “história norte-americana” de tradições antigas, acertos de contas e criações de mitos, citou o mesmo jornal britânico.

O cargo tem poucas obrigações e Harjo ainda não tem planos específicos. Uma coisa, no entanto, é certa: “Quero levar a contribuição da poesia das tribos nacionais para a frente e inclui-la na discussão da poesia”, afirmou. “Este país precisa de uma cura profunda. Estamos a passar por um momento de transformação na história nacional e na história do planeta. O caminho que escolhemos vai definir-nos.”

Joy Harjo é uma figura fundamental na literatura nativo-americana da segunda metade do século XX, tendo recebido vários prémios literários ao longo da sua já longa carreira, incluindo o Ruth Lilly Poetry Prize, atribuído pelo The Poetry Foundation. Este ano, além de se ter tornado poeta laureada dos Estados Unidos, foi nomeada chanceller da Academia de Poetas Americanos. Entre os livros que publicou, contam-se How We Became Human (2004), Crazy Brave (2012) e Conflict Resolution for Holy Beings (2015).

Harjo faz parte da tribo Muscogee (Creek) Nation, do Oklahoma.