O comissário europeu para as Migrações pediu nesta quinta-feira a Itália que permita a entrada de 42 migrantes a bordo de um navio privado de resgate e que os deixe desembarcar na ilha de Lampedusa o mais rapidamente possível.

Dmitris Avramopoulos garantiu que vários Estados-membros da União Europeia estão prontos para ajudar, mas sublinhou que a ajuda só pode ser dada quando os migrantes estiverem em terra.

“Espero que Itália, neste incidente em particular, contribua para uma solução rápida para as pessoas a bordo”, afirmou o comissário.

O navio Sea-Watch 3, gerido por uma organização humanitária alemã, desafiou as autoridades da Itália ao entrar, na quarta-feira, em águas italianas e apostando em Lampedusa.

Até ao momento, não há qualquer sinal de que os migrantes, que a organização alemã assegurou estarem em condições inseguras, receberão permissão para desembarcar.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, tem recusado deixar migrantes desembarcarem no território e sublinhou que o Sea-Watch desafiou o país ao entrar em águas italianas, defendendo que a tripulação deve ser detida e o navio arrestado.

O barco da organização não-governamental (ONG) alemã, de bandeira holandesa, encontra-se a três milhas (cerca de cinco quilómetros) da costa, frente ao monumento conhecido como “Porta de Lampedusa, Porta da Europa”, em memória dos migrantes mortos na viagem para o continente europeu, segundo mostram os meios de comunicação locais.

No interior da embarcação, encontram-se 42 dos migrantes resgatados a 12 de junho no Mediterrâneo (inicialmente eram 53 mas os restantes foram desembarcados por razões médicas), onde se encontram há duas semanas à espera de um porto seguro para desembarcar.

A tripulação rejeita a possibilidade de devolver estas pessoas à Líbia, por não considerar o país seguro, e exigiu esta quinta-feira autorização para desembarcar os migrantes, numa mensagem divulgada através do Twitter e dirigida à União Europeia.

“Esperámos durante a noite toda, mas não se pode esperar mais”, afirma a ONG, acrescentando que “o desespero das pessoas não é algo com que se possa brincar”.

Mais tarde, a organização voltou a publicar uma mensagem naquela rede social, explicando a decisão de desafiar as ordens de Itália.

“Passaram-se 23 horas desde que entrámos em águas italianas por necessidade. Vimo-nos obrigados a isso porque em duas semanas nenhuma instituição da UE assumiu a responsabilidade. Temos de continuar sozinhos ou há alguém que se lembre do dever de proteger a vida no mar”, refere.

A Itália mantém uma política de portos fechados aos barcos das ONG, política defendida sobretudo pelo ministro da extrema-direita Matteo Salvini, que acusa as organizações de favorecerem a imigração ilegal.