No primeiro dia do NOS Alive, lutou-se por um lugar à sombra. O Passeio Marítimo de Algés não escapou aos 30 e tal graus, o que fez com que os festivaleiros saíssem de casa, em primeiro lugar, com roupas fresquinhas, em segundo, determinados a encontrar aquele recanto ligeiramente mais fresco para assistir ao concerto da sua predileção. Muitos conseguiram. Encontrámos Joana a fazer uma sesta enquanto esperava pelo concerto de Xavier Rudd (para dizer a verdade, acordámo-la só para garantir que não se importava de ser fotografada) e conhecemos Rachel e Sophie, vindas diretamente da Irlanda. Mãe e filha pareciam muito mais empenhadas em monopolizar a mesa de matraquilhos do que, propriamente, em desfrutar do cartaz do final da tarde.

Há que dar um desconto a todos os que se arrastaram, esta quinta-feira, até Algés. Afinal, Mercúrio está retrógrado e isso tem um certo impacto na predisposição de muito boa gente para se aperaltar. É justo que assim seja, mas também dificulta o trabalho a quem vasculha um terraplano inteiro à procura de pessoas com pinta. Lá apareceram, com escolhas nem sempre óbvias. Daniela veio para ver The Cure, mas foram os brincos (e não as afinidades musicais) a saltar à vista —  diz que custaram 2,5 euros no Martim Moniz e que, embora deem ares a Lady Gaga, fazem-lhe lembrar Andy Warhol. Débora veio com um vestido da avó — uma escolha feliz, leve e cujo azul intenso se destacou na paisagem. Leanne, uma escocesa pela primeira vez em Lisboa, admitiu que o vestido esvoaçante foi comprado no eBay — outro modelito a provar que a segunda mão raramente deixa alguém ficar mal. Regan vestiu animal print integral, Carolina passou por casa só para pôr aquele pijama fresco e confortável. Anastasia, que veio de Moscovo para estar naquele que diz ser o melhor festival da Europa, elegeu os ténis e o seu terceiro olho como “a peça”.

Um menu completo do que se vai ouvir no NOS Alive, dos “bem-passados” à “fruta da época”

Ficou mais fresco à noite, afinal a beira-rio tem os seus efeitos. Demos de caras com os portugueses Jasmim, já em fase de descompressão após o concerto no Coreto, e com o manequim Joaquim Arnell, um acaso nunca infeliz. Ao mesmo tempo, descobrimos que o guarda-roupa de quem veio ao primeiro dia de NOS Alive tinha mais camadas do que aparentava. Entre histórias, compras inteligentes e heranças de família, uma coisa é certa: quase todos os fotografados escolheram este dia por causa de Jorja Smith. A canadiana está de parabéns, é ela que tem os fãs com mais pinta.

Na fotogaleria, veja os looks de street style do primeiro dia do NOS Alive.

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