O Partido Socialista (PS) quer que sejam responsabilizados no relatório da Comissão de Inquérito à Caixa mais administradores que tiveram “intervenção direta nos créditos mais problemáticos” concedidos pelo banco público. Um desses nomes é o de Celeste Cardona. Esta é uma das alterações pedidas pelo PS às conclusões do relatório, apurou o Observador.

Encontre as diferenças. Se no relatório escrito pelo centrista João Almeida se dizia:

O vice-presidente Maldonado Gonelha, os administradores Armando Vara e Francisco Bandeira tiveram, segundo os trabalhos da comissão, intervenção direta nos créditos mais problemáticos”.

O PS propõe a inclusão de mais nomes, entre os quais de Celeste Cardona, que foi ministra da Justiça pelo CDS-PP no início da década de 2000 e que, na Caixa, foi administradora com o pelouro dos serviços jurídicos. Os socialistas propõem que fique escrito o seguinte:

O vice-presidente Maldonado Gonelha e os administradores Armando Vara, Celeste Cardona, Francisco Bandeira, Norberto Rosa e Vítor Fernandes tiveram, segundo os trabalhos da comissão, intervenção direta nos créditos mais problemáticos”.

Mas esta não é a única alteração proposta pelo PS, que tem o efeito prático de diminuir as responsabilidades políticas da tutela, que era do PS na altura dos créditos mais problemáticos. João Almeida tinha escrito:

As irregularidades detetadas pelos órgãos de controlo interno foram reportadas ao Ministério das Finanças, não existindo evidência de diligências efetuadas no sentido de as colmatar”.

Ora, o PS quer outra formulação. Esta:

Os problemas detetados pelos órgãos de controlo interno, foram reportadas ao Ministério das Finanças, ainda que por vezes de forma vaga ou genérica, não existindo evidência de diligências efetuadas no sentido de os colmatar.”

Os socialistas também não concordam que se diga que:

Pelo que foi apurado, a maioria das perdas teve origem nos anos do mandato da administração liderada por Santos Ferreira”.

Aqui, o PS quer que se dê algum contexto:

Pelo que foi apurado, a maioria das perdas teve origem nos anos do mandato da administração liderada por Santos Ferreira, sendo contudo de referir que esse mandato coincide com a eclosão da crise financeira iniciada em 2007″.