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Costa aposta em Santos Silva como cabeça de lista do círculo fora da Europa

Líder socialista vai fazer avançar uma carta de peso por um círculo menos óbvio, apontando o MNE Santos Silva a cabeça de lista por um círculo onde o PS não elege desde 1999.

Augusto Santos Silva não se candidatou a deputado nas últimas legislativas mas acabou por ser ministro e fazer parte do núcleo duro de Costa.

TIAGO PETINGA/LUSA

Artigo alterado depois de confirmação oficial do PS da notícia avançada pelo Observador

É uma aposta forte por um círculo habitualmente pouco apelativo aquela que António Costa vai fazer nestas legislativas ao apontar Augusto Santos Silva para um dos círculos eleitorais da emigração: o círculo Fora da Europa. O ministro dos Negócios Estrangeiros será cabeça de lista, confirmou fonte oficial socialista depois de o Observador ter avançado com a notícia na noite de segunda-feira. Santos Silva avança, assim, por um círculo eleitoral onde o PS não elege desde 1999.

O nome de Santos Silva — que desta vez não avançará pelo Porto — ficou reservado para uma surpresa final nas listas do PS (aprovadas esta terça-feira à noite) e que passa por o líder tentar tirar partido do capital diplomático que este membro do seu núcleo político acumulou nestes últimos quatro anos, com a passagem pelos Negócios Estrangeiros.

Santos Silva não foi candidato a deputado em 2015 e acabou no Governo na mesma, com Costa a chamá-lo para gerir o Palácio das Necessidades. Nos corredores socialistas poucos sabiam desta pretensão do líder e sempre que alguém questionou o motivo pelo qual Santos Silva não aparecia num lugar de destaque na lista pelo Porto, a resposta é que lhe estaria reservado um lugar com maior relevância política nestas eleições. Em alguns círculos (no Porto, por exemplo) acreditava-se mesmo que Santos Silva era carta fora do baralho nestas legislativas — não seria o primeiro peso pesado a afastar-se, depois de Vieira da Silva o ter anunciado –, mas Costa conta com ele para ser cabeça de lista.

No círculo Fora da Europa, o PS não consegue eleger desde 1999 — ano em que elegeu os dois pela Europa e elegeu um Fora da Europa, dando o empate parlamentar: 115/115 deputados —, mas nas últimas Europeias, Paulo Pisco (cabeça de lista do PS pelo círculo da Europa) notou que “no círculo de Fora da Europa, não obstante o Partido Socialista ter perdido, apresenta resultados muito encorajadores em várias áreas consulares”.

Juntando os dois círculos da emigração, nas Europeias, o PSD venceu as eleições com cerca de 29%, contra 25% do PS — o PS ficou à frente na Europa e o PSD à frente Fora da Europa. Ainda assim, o PS conseguiu recolher mais votos do que os sociais-democratas nos continentes asiático e na Oceânia, sendo que os sociais-democratas dominaram onde se concentram mais portugueses. Costa está, assim, apostado em arriscar tudo num círculo onde habitualmente o PS não elege.

Há uma certeza, com a introdução do recenseamento automático (bastava ter o cartão de cidadão válido para votar), há um ano, o universo eleitoral dos círculos da emigração disparou de menos de 300 mil para 1.432 milhões de emigrantes, o que teve efeitos já nas últimas Europeias. Um universo que António Costa parece agora explorar colocando à frente um dos nomes fortes do PS e que nos últimos quatro anos, pelas funções que desempenhou, acabou por passar muito tempo junto das comunidades portuguesas no estrangeiro.  

Sónia Fertuzinhos em Braga

Quanto às restantes listas, noutros círculos de eleição, o Observador apurou ainda que Sónia Fertuzinhos será cabeça de lista por Braga e que a solução irá ao encontro das pretensões da comissão política distrital e da concelhia de Guimarães, de onde é natural a deputada do PS. A própria não o quis confirmar ao Observador durante a tarde. Tem sido sempre eleita por aquele círculo.

Esta segunda-feira ficou fechada a lista por Lisboa, que será liderada por António Costa e terá entre os candidatos nomes como Eduardo Ferro Rodrigues e Mário Centeno. A secretária-geral do partido, Ana Catarina Mendes, será cabeça de lista por Setúbal. A Lusa adiantou esta segunda-feira três dos nomes que faltavam: Pedro do Carmo por Beja, Carlos Pereira pela Madeira e Isabel Rodrigues pelos Açores. Em Évora o líder da lista será Capoulas dos Santos, Luís Testa em Portalegre, Jamila Madeira em Faro, Alexandra Leitão por Santarém, Ana Mendes Godinho pela Guarda, João Azevedo por Viseu, Pedro Nuno Santos em Aveiro, Tiago Brandão Rodrigues por Viana do Castelo, Raúl Castro em Leiria, Marta Temido por Coimbra, Alexandre Quintanilha pelo Porto, Jorge Gomes por Bragança, Hortense Martins por Castelo Branco e Ascenso Simões por Vila Real.

As listas de candidatos do PS às legislativas de 6 de outubro serão votadas esta terça-feira à noite, numa reunião da Comissão Política Nacional do partido, na sede do partido em Lisboa. E a apresentação oficial dos cabeças de lista está marcada para uma cerimónia na quinta-feira à tarde também em Lisboa.

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