Desde 1999 que ora foi deputado, ora foi membro do Governo a tempo inteiro, por isso, diz o ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, é tempo de abandonar. O anúncio foi feito a uma entrevista ao jornal Expresso, este sábado, e vem responder ao que o primeiro-ministro António Costa não concretizou em entrevista ao Observador: Vieira da Silva não vai integrar as listas do PS nas próximas eleições legislativas.

“Já disse ao primeiro-ministro que não tenciono fazer parte das listas do PS. Vou terminar a minha longa passagem por cargos de responsabilidade política a este nível. Fui membro do Governo e deputado, fi-lo em exclusividade absoluta desde 1999. É altura que outros façam” respondeu o governante ao semanário Expresso.

Os jornalistas ainda lhe perguntaram se o facto da sua filha, Mariana Vieira da Silva, ter sido escolhida por Costa para sua ministra numa decisão que causou alguma polémica teve alguma influência na sua decisão. O ministro garantiu que não. Confessa que sabia que seria escrutinado, e que não “foi agradável” a celeuma gerada com a escolha, mas garante que não teve qualquer “influência” na escolha do primeiro-ministro.

Da longa carreira o governante destaca a sua mão na criação de novas prestações sociais, de instrumentos de emprego e formação. “Não fiz o balanço, foram momentos muito intensos, também com a maior crise financeira que o país teve…”, disse.

E não deixou de falar de José Sócrates, o ex-primeiro-ministro que está acusado de corrupção, o que é um “choque” para Vieira da Silva. “Eu não revejo naquelas acusações a pessoa com quem trabalhei vários anos, e com proximidade política”, disse.

Em entrevista ao Observador esta sexta-feira, e questionado sobre isso, António Costa chutou para o fim de semana o anúncio dos candidatos a deputados. Costa falou na importância do “arejamento” da democracia, com novos deputados. Mas quanto aos mais experientes, como Vieira da Silva ou Augusto Santos Silva, se seriam para manter, foi mais evasivo: “Isso logo veremos. Primeiro, se os portugueses mantêm o atual primeiro-ministro e, em função disso, o atual primeiro-ministro, que também já tem uns bons anos de experiência governativa”.

Também com a justificação de dar lugar a outros e mais novos, o deputado Carlos César anunciou há duas semanas também estar de saída.