Terceiro ano, terceira final consecutiva. As gerações vão passando, o sucesso mantém-se quando falamos na Seleção Nacional Sub-19, que pela primeira vez conseguiu chegar ao encontro decisivo da competição e partia com esse objetivo de escrever mais uma página histórica. Muito talento, muita qualidade, cada equipa com a sua característica específica a destacar-se. Neste caso, e olhando numa perspetiva meramente teórica, a atual equipa comandada por Filipe Ramos pode não ter os mesmos destaques individuais que as formações antecessoras tinham, casos de Rafael Leão, Jota, Florentino Luís, Gedson Fernandes ou a defesa dos Diogos, mas distingue-se por um outro ponto que se viu ao longo de todo este trajeto: a organização coletiva.

Portugal perde final do Campeonato da Europa Sub-19 frente à Espanha com bis de Torres

Com uma defesa segura, um meio-campo forte nas transições e um ataque com facilidade em criar e concretizar oportunidades, Portugal, que ficou isento na primeira ronda de apuramento por causa do ranking, passou a Ronda de Elite com três triunfos frente a Chipre (3-0), Turquia (3-0) e Escócia (4-0). Dez golos marcados, nenhum sofrido. Na fase final, mais uma vitória com a Itália (3-0), o empate com a Espanha (1-1) e a goleada à Arménia (4-0). Oito golos marcados, apenas um sofrido. Meia-final com a Rep. Irlanda. novo triunfo volumoso (4-0), acesso ao jogo decisivo. Sete jogos, 22 golos marcados, um sofrido.

Não era normal ver Portugal sofrer golos exatamente porque não era normal ver momentos de desconcentração. Mais uma vez, a Espanha conseguiu forçar esse erro. Duas vezes. As duas vezes que acabaram por sentenciar uma final decidida a favor da Roja num duelo ibérico onde foi melhor durante a maior parte do tempo. E as duas vezes com o mesmo protagonista, Ferrán Torres, que se tornou apenas o quinto jogador a bisar em finais do Europeu Sub-19. É certo que Portugal não contou com alguns nomes que poderiam ter o seu peso nesta equipa e que os espanhóis tinham as suas grandes figuras, como Torres que já é jogador dos seniores do Valencia com experiência de Champions, mas o triunfo acabou por assentar bem à equipa de Santi Denia.

Um pouco à semelhança do encontro da fase de grupos, a Espanha entrou melhor, com linhas mais subidas e a jogar em posse, mas Portugal não demorou a reagir e teve até o primeiro remate com algum perigo, através de Félix Correia desviado ainda num adversário naquele que seria o primeiro de quatro cantos consecutivos para a Seleção Nacional (10′). Moha, médio do Real Madrid, começou de novo a agarrar no jogo com algumas recuperações de bola no corredor central, tentou mesmo um remate de meia distância para defesa de Celton Biai e deu o mote para a ligeira superioridade espanhol num duelo ibérico sempre calculista e sem grandes momentos de perigo junto às duas balizas. No entanto, um erro acabou por deitar tudo por terra.

Num raríssimo momento de desconcentração defensiva de Portugal, Gil ganhou espaço para o cruzamento atrasado, Gonçalo Loureiro e Diogo Capitão foram à mesma bola sem conseguirem aliviar da área e Ferran Torres, de primeira, rematou forte para o 1-0 num lance onde Celton Biai pareceu não ver sair a bola (34′). Tal como na fase de grupos, os espanhóis começaram a ganhar. Mas, ao contrário do que se passara, Portugal não só falhou o empate como nessa partida como sofreu mesmo o segundo golo logo a abrir o segundo tempo, numa jogada pela esquerda concluída de novo na área pelo mesmo Torres (51′).

Tenas, guarda-redes do Barcelona que é apontado como uma das grandes esperanças para a baliza espanhola, ainda brilhou com duas grandes intervenções a remates de Félix Correia (54′) e Fábio Vieira (74′), mas Portugal teve grandes dificuldades em reagir de forma continuada à desvantagem de dois golos, até pela forma como a Espanha foi conseguindo gerir o avanço no marcador até ao final da partida que colocou a Roja como a seleção com mais títulos juniores do futebol europeu.