Rádio Observador

Doenças

Portugal registou 268 casos de hepatite C e 174 de hepatite B em 2018

DGS observou que, desde 2015, cerca de 25 mil pessoas foram assinaladas como vivendo com infeção crónica por hepatite C, um registo que revela “a dimensão da subnotificação existente no país".

O relatório também destaca as elevadas taxas de vacinação contra a hepatite B, que ultrapassaram nos últimos anos os 95%

Joe Raedle/Getty Images

Autor
  • Agência Lusa

Portugal registou no ano passado 268 casos de hepatite C, 174 de hepatite B e 83 de hepatite A, segundo o Relatório do Programa Nacional para as Hepatites Virais da Direção-Geral da Saúde.

Em 2018 foram notificados 174 casos de hepatite B, mais um face a 2017, a maioria homens com mais de 37 anos, refere o relatório que será divulgado nesta segunda-feira em Lisboa na iniciativa “Portugal Rumo à eliminação da Hepatite C”, que decorre no âmbito do Dia Mundial contra as Hepatites, assinalado a 28 de julho.

Analisando os óbitos por hepatite B nos dois últimos anos, a DGS afirma que os números reportados “são baixos”, estando “certamente, subdimensionados particularmente nos casos crónicos”, uma vez que no preenchimento dos certificados de óbito é assumida a causa de morte, como cirrose ou cancro do fígado, e não a sua etiologia.

O mesmo se passa com as mortes associadas à hepatite C que totalizaram 16 em 2017 e nove em 2018, maioritariamente homens (75%).

“Há uma diversidade de causas que podem conduzir ao óbito e se nós não tivermos os certificados de óbito corretamente preenchidos, nunca vamos conseguir identificar qual foi a verdadeira causa daquele óbito”, disse à agência Lusa a diretora do Programa Nacional para as Hepatites Virais, Isabel Aldir.

Nesse sentido, defendeu, os médicos devem ser sensibilizados para a importância do correto preenchimento destes certificados para se ter uma noção verdadeira da “dimensão deste problema” em Portugal.

Relativamente à hepatite C, o documento aponta a notificação de 269 casos em 2018, menos oito face a 2017, a maioria homens com idades entre os 40 e 59 anos (62,4%), sendo a “forma provável de transmissão”, conhecida em 65% dos casos, “a exposição não ocupacional a sangue ou materiais contaminados (85%)”.

A DGS observa que desde a implementação do Portal do Infarmed em 2015 e até 30 de junho, cerca de 25 mil pessoas foram assinaladas como vivendo com infeção crónica por hepatite C, um registo que revela “a dimensão da subnotificação existente no país”, uma vez que os profissionais de saúde apenas notificaram 774 casos entre 2015 e 2018.

“Importa sensibilizar todos os profissionais de saúde para a obrigatoriedade da notificação e para a sua importância, enquanto base do conhecimento epidemiológico tão necessário nesta área, e fundamental no apoio à definição de estratégias futuras”, defende.

Nas últimas décadas, diminuíram de “forma consistente” os casos de hepatite A, mas em 2017 começou a verificar-se um aumento de casos, alguns referentes a 2016, altura em que ocorreu um surto em 22 países da União Europeia, incluindo Portugal.

Em Portugal, foram notificados 560 casos em 2017 e 83 em 2018, a maioria (66,7%) na região de Lisboa e Vale do Tejo e no grupo etário 18-39 anos (66,4%).

Desde então, houve um decréscimo progressivo do número de novos casos, tendo voltado a uma situação semelhante à existente antes do surto, mas mantém-se a atenção porque “a diminuição da incidência da doença originou um número crescente de pessoas suscetíveis”.

O relatório destaca as elevadas taxas de vacinação contra a hepatite B, que ultrapassaram nos últimos anos os 95%. Em 2018, 98% das crianças com um ano estavam vacinadas.

Para Isabel Aldir, esta taxa de cobertura “é assinalável” e faz com “a população até aos 37 anos de idade esteja protegida, o que é uma ajuda para se terminar com a situação da hepatite B enquanto problema de saúde pública muito grande”.

É fundamental “todos estarmos conscientes da importância destas doenças, mas também conscientes de que há maneiras de as prevenir e que há tratamento”, sublinhou a infeciologista.

No relatório, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirma que o documento aponta resultados que “alicerçam a confiança na prossecução da meta de eliminar as hepatites virais até 2030”, mas ainda é “necessário intensificar” os esforços para melhorar a resposta nacional.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)