Sem grande alarido ou combatividade, António Costa reagiu, este domingo, às palavras de Catarina Martins, que o acusou de “arrogância” na sequência de uma entrevista que o primeiro-ministro deu ao jornal Expresso.

Costa está a percorrer a Estrada Nacional 2 e foi em São Brás de Alportel, num momento de contacto com os jornalistas, que disse:

Se estiver interessada em ler a entrevista ao Expresso, que a leia toda e não só a resposta a uma única pergunta que, se tirado do contexto, pode ter um sentido inverso daquele que tem no conjunto da conversa”, explicou o governante.

De ar relaxado e camisa descontraída, o primeiro-ministro não se alongou a discutir o assunto e foi rápido a desviar o tema de conversa: “Não vou estar aqui com essa polémica. Aquilo que tinha a dizer na entrevista, disse. Hoje estamos aqui e vamos estar nos próximos dias para falar da Estrada Nacional 2.”

Na entrevista, António Costa cita um amigo que diz que o Bloco de Esquerda é “um partido de mass media” e que “um BE forte significa a ingovernabilidade”, se o PS for fraco. No mesmo momento da entrevista, Costa explica que “é muito mais fácil” trabalhar com o PCP, a quem tece rasgados elogios por ser um partido com maior maturidade e que “não vive na angústia de ter de ser notícia ao meio dia todos os dias”.

Na resposta, ainda no sábado, Marisa Matias escreveu no Twitter que, “enquanto precisou de parceiros para ser governo”, António Costa “nunca fez caricaturas de mau gosto” e que “agora parece que vale tudo para tentar maiorias absolutas”.

Também Rui Rio criticou o primeiro-ministro por mostrar ingratidão por um partido que permitiu que se tornasse Governo, em 2015. O líder do PSD diz que as declarações mostram que Costa “está com medo de que os votos da esquerda fujam para o BE”.