Se a temporada passada assistiu à entrada em ação de inúmeros jogadores com 19 ou 20 anos, nascidos entre 1999 e 2000, a época que agora começou parece ter saltado um ano. Matchoi Djaló, de apenas 16 anos, tornou-se o jogador mais novo de sempre a atuar na Primeira Liga quando entrou na segunda parte da visita do P. Ferreira ao Benfica, logo na primeira jornada; Eduardo Camavinga, de 16 anos, foi o melhor jogador de um Rennes que bateu o PSG na jornada inaugural da liga francesa; e Ansu Fati, também de 16 anos, só precisou de pouco mais do que dez minutos, este domingo, para ser um dos destaques do Barcelona e aparecer em toda a comunicação social espanhola.

Na receção ao Betis de Sevilha — e sem Messi, Suárez e Dembélé, todos lesionados –, o Barcelona até começou a perder, com um golo de Nabil Fekir à passagem do primeiro quarto de hora. Ainda assim, a equipa de Ernesto Valverde acabou por empatar ainda antes do intervalo, por intermédio de Griezmann, e terminou o jogo a golear, com o francês a bisar e Carles Pérez (que tem 21 anos e também é da formação), Jordi Alba e Arturo Vidal a engordarem o resultado (5-2). Mas foi precisamente na segunda parte, instantes antes do golo de Vidal, que Pérez foi substituído por Ansu Fati. Ora, Ansu, que é diminutivo de Anssumane, tem apenas 16 anos e tornou-se o jogador mais novo desde 1940/41 a representar o Barcelona.

O avançado formado no clube catalão nasceu na Guiné-Bissau mas está desde os seis anos em Espanha, altura em que o pai emigrou para o país. Em entrevista ao programa “Tiempo de Juego”, da rádio COPE, o pai de Ansu Fati explicou que o agora jogador do Barcelona só integrou um clube aos nove anos, já que a família não se tinha apercebido da sua qualidade. “Diziam-me que não sabia o quão bom o meu filho era, toda a gente o queria”, revelou Bori Fati, que contou ainda que Ansu teve propostas do Real Madrid e do Sevilha na altura em que optou por ir para a Catalunha. “Estávamos em Sevilha e o Real Madrid oferecia melhores condições do que o Barça pelo meu filho. Mas escolhemos o Barcelona porque vieram a minha casa com o contrato e acabaram por me convencer. Veio o Albert Puig [antigo diretor da academia do clube] e disse-me que o meu filho tinha de assinar pelo Barcelona”, acrescentou o pai do avançado.

O avançado entrou já na segunda parte e tornou-se o segundo jogador mais novo de sempre a atuar pela equipa principal do Barcelona

O pai do jogador — que garante que Ansu Fati quer representar a seleção espanhola e não a guineense — revelou ainda que chorou quando soube que Ernesto Valverde tinha convocado o filho. “Este é o dia mais feliz da minha vida. Quando entrou em campo, eu e a minha mulher dissemos: ‘Não pode ser’. Estávamos nas nuvens”, concluiu. Já o próprio avançado, em declarações à Barça TV, agradeceu “ao clube, ao treinador e aos adeptos” e confessou que estava “muito nervoso”. “No final do jogo fiquei um pouco no relvado. Olhei para os meus pais, para a minha família, que são aqueles que me acompanharam até chegar aqui. Fiquei ali no campo porque não acreditava”, acrescentou Ansu, que recebeu ainda mensagens de incentivo de duas figuras históricas do Barcelona.

Se Lionel Messi, atual capitão dos catalães, publicou uma fotografia nas redes sociais onde abraça o jovem jogador e garantiu estar “feliz por ver os rapazes da casa a cumprir os seus sonhos”, Víctor Valdés foi mais longe. O antigo guarda-redes do Barcelona, que é atualmente treinador dos juvenis do clube e orientou Ansu Fati na temporada passada, partilhou uma mensagem sentida e desejou “o melhor” ao avançado”. “Desejo-te o melhor neste dia tão especial, pensa que ao fim e ao cabo é só futebol e golos! Disfruta do Camp Nou, pequeno. Sempre forte e veloz, Ansu!”, escreveu o antigo internacional espanhol. Apoio, palavras de força e espaço para crescer, não faltam a Ansu Fati. Agora, é ver um novo avançado crescer na Catalunha: e deixar o Real Madrid a pensar naquele miúdo que deixou escapar há uns anos.