Um dos filhos do Presidente brasileiro negou esta terça-feira que tenha defendido o retorno da ditadura ao Brasil, depois de ter afirmado que uma rápida transformação do país era impossível “por vias democráticas”.

“Por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não ocorrerá na velocidade que almejamos”, escreveu na segunda-feira Carlos Bolsonaro, de 36 anos, segundo filho do chefe de Estado, na rede social Twitter.

Face à avalanche de críticas que se seguiram à declaração, Carlos Bolsonaro, que é vereador no Rio de Janeiro, publicou esta terça-feira uma mensagem na qual afirma ter sido mal interpretado.

“O que falei: por vias democráticas as coisas não mudam rapidamente. É um facto. Uma justificativa aos que cobram mudanças urgentes. O que jornalistas espalham: Carlos Bolsonaro defende ditadura. Canalhas.”, argumentou o vereador no Twitter, culpabilizando a imprensa.

Algumas horas antes, o vereador respondeu ironicamente aos seus detratores: “Agora tornei-me num ditador”.

Carlos Bolsonaro foi um dos maiores responsáveis pela estratégia de comunicação nas redes sociais durante a campanha presidencial do seu pai, Jair Bolsonaro, que foi crucial na vitória das eleições de outubro passado.

No sábado, Carlos Bolsonaro, que foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro nas últimas eleições, esteve presente ao lado de Jair Bolsonaro durante a cerimónia comemorativa da independência do Brasil.

“O que falta para se entender que Bolsonaro prepara um golpe fascista contra a democracia e a sociedade brasileira? Carlos Bolsonaro, o seu filho preferido, acaba de assumir isso explicitamente no Twitter. É hora de darmos um basta”, escreveu no Twitter a deputada do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Taliria Petrone.

As declarações de Carlos Bolsonaro também foram fortemente criticadas por aliados do governo.

O presidente do Senado brasileiro, David Acolumbre, disse esta terça-feira que as declarações do filho do presidente têm o seu “desprezo”.

No Senado a democracia está fortalecida, as instituições estão todas pujantes, trabalhando a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a esse enfraquecimento tem da minha parte o meu desprezo”, afirmou David Acolumbre.

O vice-Presidente do país, general Hamilton Mourão, declarou que a democracia é um “pilar da civilização ocidental”.

Nesta quarta-feira, o jornal brasileiro Estado de São Paulo publicou um editorial intitulado de “Flerte com o golpismo”, em alusão ao período em que o Brasil foi alvo de uma ditadura militar, de 1964 até 1985, depois de um golpe de Estado que colocou os militares no poder.

Na sexta-feira passada, Carlos Bolsonaro pediu uma licença sem remuneração à Prefeitura do Rio de Janeiro, de acordo com um documento oficial divulgado esta terça-feira, sem, no entanto, especificar o motivo da solicitação.

Jair Bolsonaro, ex-capitão do exército, expressa frequentemente a sua admiração pela ditadura militar, que vigorou no país entre 1964 e 1985, questionando a versão oficial sobre os desaparecimentos e mortes nesse período.

Em 8 de agosto, Jair Bolsonaro exaltou como “herói nacional” o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do organismo repressivo que torturou até à morte vários presos políticos durante a ditadura militar.

“Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda quer hoje”, disse o chefe de Estado brasileiro aos jornalistas.

Carlos Alberto Brilhante Ustra, que morreu em 2015, foi condenado em 2008 por torturar um jornalista em 1971, mas o processo foi arquivado por um tribunal brasileiro, que considerou que a queixa da família da vítima ocorreu duas décadas depois da aprovação da Constituição de 1988, que reconhece a amnistia dos delitos praticados durante o regime militar.