Os 180 militares portugueses destacados na República Centro-Africana (RCA) chegaram esta quinta-feira a Portugal, após seis meses “muito intensos” e de uma “missão exigente” naquele país.

A 5.ª Força Nacional Destacada ao serviço das Nações Unidas na RCA, maioritariamente composta por comandos, chegou ao Aeroporto Figo Maduro, em Lisboa, onde estavam à espera dos militares as famílias, tendo sido um reencontro carregado de emoção.

O comandante da força portuguesa, tenente-coronel Rui Moura, disse aos jornalistas que “estes seis meses foram intensos” na RCA, uma missão que “pôs à prova a força” dos militares portugueses.

Cerimónia de receção da 5.ª Força Nacional Destacada para a República Centro-Africana.Bem vindos a casa e ao seio da…

Posted by Exército Português on Thursday, September 12, 2019

Rui Moura fez “um balanço muito positivo”, sublinhando que “foram seis meses exigentes onde os militares cumpriram de forma exemplar a missão atribuída” e demonstraram “uma grande capacidade, profissionalismo e abnegação”. “Portugal e as Forças Armadas podem estar orgulhosos”, disse o comandante da força portuguesa.

A missão desta força ficou marcada pelo acidente de viação, em 13 de junho, de um militar, que ficou gravemente ferido e teve de sofrer a amputação das duas pernas.

Rui Moura referiu que, depois do acidente, a moral dos militares portugueses “ficou um bocadinho abalada”, mas rapidamente conseguiram “recuperar e continuar a missão.

Michael Pitos terminou esta quinta-feira a sua segunda missão na RCA e confessou à Lusa que todas elas são diferentes e desta última guarda “sentimentos, experiência e cultura de vidas diferentes”.

Com a filha ao colo, Zaloznyi, que também realizou a segunda missão, disse que a preocupação é “tentar salvar” as outras pessoas, sendo complicado estar naquele país, uma vez que são “esquecidos e quem está a fazer a diferença lá” são os militares portugueses.

“Todas as missões são diferentes. A primeira foi mais difícil”, referiu, salientando que a situação na RCA está mais calma.

Lizandra Albuquerque, uma das oito mulheres que estiveram nesta missão, destacou à Lusa a “amizade, espírito de camaradagem e de entreajuda” dos militares portugueses, frisando que durante estes seis meses o mais importante foi a ajuda à população.

A militar disse ainda que a missão “correu bem” e que não notou “diferenças significativas” por ser mulher.

Também presente na cerimónia de chegada dos militares portugueses destacados na RCA esteve a secretária de Estado da Defesa, que destacou aos jornalistas a exigência e a importância desta missão.

Esta é uma missão central em que Portugal tem um empenhamento mais significativo e que garante que Portugal é um parceiro credível do ponto de vista internacional e os nossos militares são exatamente o espelho disso mesmo, de um enorme rigor e profissionalismo e de uma capacidade ímpar de cumprir esta missão”, disse Ana Santos Pinto.

Na quarta-feira à noite partiu para a RCA a 6.ª Força Nacional Destacada para uma missão de mais seis meses.

Portugal, que está presente na RCA desde o início de 2017, faz parte de uma força internacional coordenada pelas Nações Unidas que procura estabilizar um país em conflito desde 2013, no qual o Governo apenas controla um quinto do território e várias milícias dominam o resto do território.