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Rio admite que a sua liderança estará em jogo, mas recusa colocar fasquia

Rui Rio diz que oposição interna “não está assim tão calada como isso”, mas acredita ter maioria do partido consigo. Em entrevista à Antena 1, admite que liderança está em jogo mas não define fasquia.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

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  • Agência Lusa
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O presidente do PSD, Rui Rio, admitiu esta quinta-feira que a sua liderança estará em jogo nas legislativas de 06 de outubro, mas recusou traçar uma fasquia do que seria um resultado inaceitável para o partido.

“Depende. Se quiser olhar para estas sondagens que vão saindo, quase que parece que se tivesse 20% era uma vitória fabulosa, dizem que isto vai tudo desaparecer… Obviamente que 20% era muito mau, mas o resultado que, antes de 6 de outubro, o PSD e o PS têm de definir para si é a vitória”, defendeu, em entrevista à Antena 1.

Instado a dizer qual o resultado abaixo do qual o PSD não pode ficar, respondeu: “Sinceramente, não pensei nisso, claro que há de haver uma fasquia abaixo do qual é muito mau, e acima do qual é muito bom”.

Na fase final da entrevista, conduzida pela jornalista Natália Carvalho, o líder do PSD foi questionado se a sua liderança estará em jogo nas próximas legislativas. “Claro, isso joga-se sempre, se o PSD tivesse um resultado baixíssimo, o que é que uma pessoa fica lá a fazer? Em cada resultado eleitoral, seja qual for, joga-se sempre o futuro de cada líder partidário, em qualquer parte do mundo”, afirmou.

Sobre a oposição interna, Rui Rio defendeu que “não está assim tão calada como isso”, mas acredita ter a maioria do partido consigo.

“O partido comigo eu tenho, os militantes e o grosso das estruturas eu tenho. Agora, se me perguntar se tenho todos, todos, muito unidos, e ninguém me está a tentar fazer a cama? Eu era hipócrita se dissesse que não é verdade, agora a esmagadora maioria está empenhada em que o PSD tenha um bom resultado”, considerou.

O líder do PSD voltou a não se comprometer em cumprir o mandato de deputado até ao fim – dizendo que se candidatou à presidência do partido “para ser primeiro-ministro” – e explicou a que se referia quando falou da “corte”.

“A corte não é a cidade de Lisboa (…) A corte é aquilo que está ali em volta do poder e usufrui do poder, é uma coisa muito pequenina que por acaso está em Lisboa”, afirmou, considerando que nessa expressão pode incluir, em parte, o parlamento, jornalistas e “algum poder económico”.

À Antena 1, o líder do PSD procurou explicar alguns temas que têm sido alvo de críticas públicas do secretário-geral do PS, António Costa, em concreto na área das infraestruturas.

Sobre a localização do futuro aeroporto, Rio admitiu que “tudo indica que deve ser no Montijo”, considerando que o PSD apenas diz que “poderá ser avisado” reapreciar a solução de Alcochete se houver “problemas inultrapassáveis” ou “muito caros” quanto ao local já escolhido pelo Governo.

”O que o Governo diz é: vai ser aqui. Mas se vai ser aqui, então pergunto para que é o estudo de impacto ambiental, para quê a discussão pública?”, questionou.

O líder do PSD recusou ainda que o partido tenha defendido, no seu programa, a criação de um TGV entre Porto e Lisboa, mas sim “uma linha uniforme de alta velocidade que reduzisse a distância” entre as duas cidades, até por razões ambientais.

Rio manifestou concordância com a decisão do anterior Governo, liderado pelo social-democrata Pedro Passos Coelho, em suspender o projeto de TGV do seu antecessor, o socialista José Sócrates.

“O país com a situação em que estava podia lá fazer esse investimento (…) Então vai chamar a ‘troika’ e quer fazer o TGV?”, disse.

O líder do PSD rejeitou ainda que pretenda que os idosos trabalhem até mais tarde, salientando que tal é apresentado no programa do PSD apenas como “uma opção”, que implicaria também trabalhar menos antes da idade oficial de reforma.

“O que eu digo é a pessoa pode optar – tomara eu que fosse possível comigo – a partir dos 61 ou 62 anos trabalhar em ‘part time’. E depois, em vez de se reformar aos 66, reformava-se, dois ou três anos mais tarde, seria uma opção. Olhe, seria a minha”, assegurou.

Na entrevista, Rio reiterou a sua defesa de compromissos alargados – “não olho para a política como se olha para os clubes de futebol” – e a intenção de, se houver uma maioria parlamentar à direita, construir uma solução com o CDS.

Com os restantes partidos na área do centro-direita, admite que teria de “pensar duas vezes”: “Depende dos partidos, do que defendem”.

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