Vai ser uma noite de visitas para o planeta Terra. Dois asteroides, um com até 260 metros de diâmetro e outro que pode chegar aos 650, vão passar por nós a uma distância de 5,6 milhões de quilómetros nas madrugadas de sábado e deste domingo. Pode até parecer muito — e é: corresponde a 14 vezes a distância que nos separa da Lua. Pode parecer seguro — e também é: a NASA emitiu um comunicado a garantir que não há motivos para preocupações. Mas, à escala astronómica, é uma passagem à tangente. Um tiro de raspão. Um acidente que não acontece por uma unha negra. Mais ou menos.

De acordo com as estatísticas da Agência Espacial Europeia (ESA), se a Terra fosse atingida por um destes asteroides, seria um desastre ligeiramente pior do que detonar uma Tsar Bomba, que tinha 50 megatoneladas de energia, mas sem o perigo da radioatividade. Essas são as más notícias. As boas é que isso não está para a acontecer: “Há pequenos asteroides a passar tão perto da Terra a toda a hora”, relativiza Lindley Johnson, cientista do programa de defesa planetário da agência espacial norte-americana.

A outra boa notícia é que colisões dessas acontecem muito de vez em quando, lembra a ESA, que garante que asteroides deste tamanho podem demorar entre 10 mil anos e um milhão de anos a atingir a Terra. Ora, esse é o tempo de um suspiro na linha de tempo geológica, mas uma eternidade tendo em conta a duração da vida humana.

Ainda assim, uma colisão com estes asteroides pode mesmo acontecer um dia. O que nos pode descansar é que as agências espaciais estão bem cientes disso, por isso mantêm estes corpos celestes debaixo de olho: “É factual que temos de continuar a monitorizar estes asteroides, pois a órbita fará com que ele passe perto da Terra repetidamente ao longo dos anos. E, um dia, poderá representar um risco real”, explica a Sociedade Americana de Astronomia.

Quando é que isso vai acontecer? Não há datas, mas será “num futuro distante”, garante a sociedade. De qualquer modo, mesmo que esse dia chegasse agora, em princípio poderíamos respirar de alívio: “Lembrem-se que a Terra é amplamente coberta pelos nossos oceanos e é pouco povoada e, portanto, a probabilidade de atingir a sua vizinhança é extremamente baixa”, explicou Danica Remy, presidente da Fundação B612, uma empresa privada que está a desenvolver mecanismos para desviar as órbitas dos asteroides que ameaçam a Terra.

Segundo Danica Remy, já há tecnologia capaz de, pelo sim, pelo não, desviar estes corpos celestes para longe da Terra. Assim evitava-se um desastre, mesmo que só estivesse para acontecer daqui a muito tempo. Mas “é preciso que haja disponibilidade financeira”, diz o presidente da Fundação.

De resto, “estes asteroides foram bem observados e as órbitas são bem conhecidas”, acrescenta Lindley Johnson. “Atualmente, existem vários observatórios em todo o mundo dedicados a rastrear asteroides como este. Em breve serão postos a funcionar uns mega-telescópios financiados pelo governo norte-americano que prometem dar uma contribuição substancial à população de grandes asteroides próximos da Terra”, adianta um comunicado da Sociedade Americana de Astronomia.

O primeiro visitante chama-se 2010 C01, tem entre 120 e 260 metros de diâmetro e vai passar por nós quando o relógio bater as 4h42 de este sábado. O outro asteroide, 2000 QW7, com entre 290 e 650 metros de diâmetro, passa cerca de 20 horas depois, às 00h54 de domingo. Ambos os corpos celeste viajam a 23 mil quilómetros por hora e constam numa base de dados chamada “Dados de Passagens Próximas”, onde a NASA monitoriza os Objetos Próximos à Terra (NEOs, do inglês Near-Earth Objects) — os corpos celestes cuja órbita à volta do Sol intersecta a nossa, o que pode implicar um perigo de colisão no futuro.