O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu atribuir sem aviso prévio o título honorífico Grã-Cruz da Ordem da Liberdade ao escritor português António Lobo Antunes. Marcelo surpreendeu o autor de “Memória de Elefante” e “Os Cus de Judas” com a distinção, no encerramento de um colóquio que decorreu este sábado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. O encontro, que juntou vários oradores e especialistas na obra do escritor, tinha o intuito de celebrar os 40 anos de publicação literária de Lobo Antunes.

Responsável pelo discurso de encerramento, Marcelo Rebelo de Sousa comentou o facto de António Lobo Antunes ser apontado há muito tempo, em Portugal e no estrangeiro, como possível vencedor do Prémio Nobel da Literatura, sem que no entanto nunca o tenha ganho: “O António já recebeu todos os prémios possíveis. Não precisa do Nobel!”, terá afirmado, segundo cita o Diário de Notícias. Apesar de “todos os prémios possíveis” já colecionados, o Presidente da República quis distinguir Lobo Antunes com mais um título: o da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. “E é isso que passo a fazer”, terá apontado, para surpresa geral.

A Ordem da Liberdade, introduzida após o 25 de abril, foi “criada com o claro objetivo de agraciar os que se notabilizaram em defesa dos ideias mais caros aos revolucionários”, lê-se no site da Presidência da República. A atribuição do título honorífico deve ter em conta “toda uma gama de méritos cívicos assinaláveis: os daqueles cidadãos, nacionais ou estrangeiros que se distinguiram pelo seu amor à liberdade e pela sua devoção à causa dos direitos humanos e da justiça social, nomeadamente na defesa pelos ideais republicanos e democráticos”.

Entre outras personalidades a quem o PR decidiu atribuir recentemente este título honorífico estão o escritor Fernando Namora (a título póstumo, entregue à filha do escritor, Margarida) e a pianista Maria João Pires.

A decisão de Marcelo em surpreender o distinguido com a atribuição de um título honorífico sem anúncio prévio não é inédita: o atual Presidente da República já o havia feito por exemplo com Jorge Sampaio, ex-PR, curiosamente também no encerramento de um colóquio na Fundação Calouste Gulbenkian (sobre o ensino superior em situações de emergência). Sampaio, contudo, foi distinguido com o título de Grande-Colar Ordem do Infante D. Henrique, pelo apoio dado pelo ex-Presidente ao estudo de jovens alunos refugiados.