Já muito foi escrito sobre os novos iPhone: o 11, o 11 Pro e o 11 Pro Max. Na redação, testámos estes dois últimos e, no fim das contas, há uma ideia a reter: só vale a pena trocar o smartphone que já tem por estes se quiser continuar a ter um iPhone e tiver mesmo de trocar de modelo (as más condições da bateria do SE podem não ser desculpa). Se quiser mudar apenas porque quer um telemóvel mais giro, nestes modelos não há muita inovação, apesar de ser mais um ano em que repetimos a frase: estes são os melhores iPhone (mas não os melhores smartphones do mercado) e isso em muito se deve às câmaras. E é por isso que é este o foco do artigo.

Em 2017, o smartphone Huawei Mate 20 apresentou um design em L para as três lentes, depois, o Samsung S10+, em 2019,  mostrou uma linha para as mesmas três lentes, o Huawei P30 Pro, pouco tempo depois, foi ainda mais fundo — literalmente — e o Samsung Note 10+ mostrou, por fim, que a câmara é para estar na horizontal. Agora, há aquilo que os tripofóbicos mais temem: a Apple juntou-se ao clube das três lentes com um design ainda mais arrojado. Se compararmos com os iPhone de 2018 (Xs e o Xs Max), este modelos são praticamente iguais. Têm um bocadinho mais de bateria, são um bocadinho mais resistentes e um bocadinho mais rápidos. Contudo, isso já é um bocadinho esperado. Isto foi o que achámos das câmara dos iPhone 11 Pro e 11 Pro Max.

A grande angular vale a pena?

Sabe quando tira uma fotografia e pensa: “Quem me dera ter conseguido captar mais daquilo que estou a ver”? Se calhar não tem esse pensamento, mas as lentes grande angulares resolvem esse problema. Na prática, fazem o que diz o nome, captam um maior ângulo de imagem. O efeito final de uma dessas fotografias, por vezes, pode ser um pouco como olhar para um aquário, no qual vemos nos cantos as linhas retas a curvarem. Contudo, aqui entra a magia das três lentes e o software da Apple para minimizar esse efeito.

As fotografias foram tiradas exatamente do mesmo sítio e à mesma distância. À esquerda, o resultado com lente normal. À direita, o resultado com lente grande angular

A tecnologia não é de longe nova. Há vários anos que marcas como a LG, Huawei, Samsung e outras têm apresentado este modo de fotografia em modelos de smartphones (em 2016, a LG era elogiada por ser a única a oferecer esta funcionalidade).

D0 que experimentámos, tanto um como outro destes modelos apresentam resultados idênticos. Não dá para utilizar esta funcionalidade no modo de vídeo e, ao utilizar a câmara frontal, como as lentes são diferentes, este efeito não é tão pronunciado. No fim, o resultado é um: com a grande angular, a Apple cumpre o objetivo e fica a par da concorrência.

E aquelas fotografias que captam o que vemos no escuro são verdade? Este é o melhor iPhone para tirar fotografias à noite?

Lembra-se de quando ficámos cativados porque o P30 Pro, da Huawei, tirava fotografias em quartos com luz quase  nenhuma? Agora, a Apple faz quase o mesmo. Dos topos de gama que por aqui têm passado, já começamos a dar como adquirida esta funcionalidade. Na prática, é uma especificação que utiliza as três lentes para conseguir captar imagens com mais luminosidade em ambientes mais escuros. E sim, funciona.

Com os iPhone 11 Pro e 11 Pro Max ficámos surpreendidos? Não. Muito provavelmente, porque já tínhamos visto esta especificação noutros modelos. Os resultados que vimos com estes smartphones são bastante bons, mas mesmo em ambientes poucos escuros já vimos melhor.

Em relação às fotografias que tiramos à noite, a qualidade continua a ser bastante boa quando comparada com smartphones mais baratos, mas por mais de mil euros, o Pro em iPhone Pro não surpreendeu neste campo. A concorrência, pelo contrário, surpreendeu à noite ou em ambientes pouco iluminados.

E de dia?

Podemos criticar os iPhone quando tiramos fotografias em ambientes mais escuros, mas não quando aparece a luz, principalmente sol, não. Aí, é impossível não elogiar este modelos. Seja devido a efeitos como o modo retrato ou tirando simplesmente uma fotografia com luz natural,  estes modelos fazem o que prometem. As fotografias têm muito boa resolução e é difícil não conseguir os resultados pretendidos, principalmente a fotografar pessoas. Em suma, o iPhone a ser iPhone.

Tanto a tirar selfies, como mostra o jornalista Luis Vaz Fernandes à esquerda, quer seja em fotografias com a câmara frontal, como mostra a jornalista Marta Leite Ferreira à esquerda, continua a ser fácil conseguir bons resultados de fotografias com os iPhone

E com imagens em movimento? Até em 4k.

Não, com três lentes a Apple ainda não inventou o fim das fotografias desfocadas. Contudo, relativamente aos vídeos, a possibilidade de filmar em 4K — trocado por miúdos, é imagem em ultra alta resolução (mais nítida) –, é uma opção que, por si, põe o Pro neste iPhone 11. Vai utilizá-la? Muito provavelmente não. Mas, se precisar, estes smartphones estão preparados para isso e cumprem o que prometem. Para os utilizadores mais exigentes, principalmente com o que vemos em modelos da concorrência, se as novas câmaras dos iPhone queriam ser competitivas tinham de continuar a ter esta funcionalidade e melhorar. E sim, filmam em 4K, mas consomem mais energia.

Os iPhone 11 Pro e 11 Pro Max filmam em 4K

E as slowfie (selfie em câmara lenta) são boas?

Poder filmar em câmara lenta parece supérfluo — até começarmos a fazê-lo. É uma daquelas funcionalidades da qual não se sente falta até se ter. Na prática, serve para ter vídeos mais divertidos, mas os resultados não desiludem. Quer seja para filmar água a verter de um copo ou um pião a rodar, o resultado é sempre um vídeo cativante. Esta não é uma funcionalidade nova nos iPhone, mas é nova nas câmaras frontais destes equipamentos. Resultado? Slowfies [selfies em câmara lenta]. Vale a pena pagar mil e cem euros para ter esta opção? Não, mas é como os animojis — os smiles da Apple que replicam as feições da cara — quando surgiram. Não é por serem caros que deixam de ser cativantes. E as slowfies são um bom exemplo. E o mais importante é que pode ser uma dica para as outras marcas: é mesmo simples de utilizar.

No fim, 1100 euros para melhorar a câmara fotográfica que faz medo a tripofóbicos, vale a pena?

Resposta simples: não. Resposta longa: precisa mesmo? Se não atualiza o seu iPhone desde o modelo 8 pode fazer algum sentido pensar nesta atualização, nem que seja porque as baterias estão bastante melhores. Contudo, as funcionalidades que a Apple apresenta com as câmaras destes iPhone não destroem todas as mais valias que as dos modelos anteriores já tinham. As slowfies ou tirar fotografias em ambientes escuros põem, finalmente, a Apple a par da concorrência e a ser referência nas fotografias. No entanto, a não ser que seja um ávido fotógrafo de telemóvel, que só quer o melhor dos melhores resultados e quer tê-los obrigatoriamente com um iPhone, uma lente a mais não é suficiente para trocar um iPhone Xs ou Xs Max por estes novos modelos.

E vale a pena comprar o 11 Pro ou o 11 Pro Max?

A diferença, como até tem sido divulgado até pela própria Apple, é apenas o tamanho. Por aqui, o tamanho do 11 Pro, que continua com um design igual ao do XS, continua a ser o preferido. Com o 11 Pro Max ganha-se mais tamanho de ecrã e capacidade bateria, mas nem com uma mão grande é fácil manuseá-lo. Quanto à câmara, os resultados são os mesmos tanto num modelo como noutro.

*Os iPhone 11 Pro e 11 Pro Max foram disponibilizados ao Observador pela GMS-Store para efeitos de análise