No evento em que a Samsung celebrou os 10 anos da gama Galaxy, as atenções estiveram viradas para o Fold, um telemóvel dobrável que custa cerca de 2.000 euros e que esteve em destaque em toda a imprensa. Mas no auditório em que anos antes Steve Jobs apresentou o Apple II, a marca sul coreana também levantou o véu sobre os novos topo de gama: o S10e, o S10 e o S10+. Se antes a Samsung era criticada por copiar os iPhone, da rival Apple, agora também é criticada por se inspirar na Huawei. A verdade é que quem copia bem e até muda algumas coisas — como adicionar um furo no ecrã para a câmara — consegue ter um bom resultado. É o caso do Galaxy S10 — o modelo que, dos três novos, é maior e tem mais capacidade de bateria.

Samsung Galaxy S10+

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A favor

  • Bateria
  • Lente grande angular
  • Entrada para auriculares tradicionais

Contra

  • Preço
  • Botão Bixby
  • Controles por gestos do sistema operativo

Faz parte do conjunto de smartphones mais caros do mercado: 1.040 euros na versão inicial (que tem 8GB de RAM e 128GB de memória interna). Mas este valor significa várias coisas: o S10+ é mais do que um pequeno computador (sim, continuamos poder ligá-lo a um ecrã, funcionando com um rato, como já acontecia com os S9). Vem equipado com um potente processador Exynos 9820, o primeiro da Samsung que permite utilizar devidamente a inteligência artificial, tem uma tripla câmara fotográfica traseira e uma dupla frontal que consegue resultados que dificilmente outro smartphone consegue.

Além disso, tem novidades como ecrã infinity-O, de canto a canto, com um sensor de impressões digitais embutido e uma traseira que carrega outro equipamento apenas por toque (sim, aquilo tudo que já tínhamos visto no Huawei Mate20 Pro). Contudo, tem tudo isto, mantendo a entrada tradicional para auriculares.

Estas especificações, e o design diferente fazem deste smartphone o melhor Samsung. O S10 Plus corrigiu a falta de novidades do Note 9 e finalmente mostra que a Samsung tem bateria para mais do que um dia, ultrapassando o caso dos Note 7, com baterias que se incendiavam. Há desvantagens, contudo: maior parte destas novidades, como dissemos, já vemos no Mate20 Pro, que agora está mais barato do que o S10+ (e saiu no final de outubro); e a Samsung ainda tem bastante para melhorar o controlo por gestos no sistema operativo. Em 10 GIFs, porque são os 10 anos da Samsung, leia a nossa análise.

Se tiver problemas em ver os GIFs, leia este artigo num novo separador num browser ou na nossa app.

Infinity-O, que é como quem diz: em vez de um notch temos um furinho pequenino no ecrã

Tecnicamente, a Samsung foi a primeira empresa a ter um smartphone com um furo no ecrã, mas não foi com estes S10. Foi o A8, que só saiu na China. Foi por isso que a Honor conseguiu mais visibilidade quando lançou o View20. Agora, independentemente de quem foi o primeiro, o furo em vez do entalhe/notch no topo do ecrã faz muita diferença? Do que analisámos, não há nenhuma razão além da estética para a dupla câmara frontal do S10+ não estar junto ao topo. É giro e interessante, mas o espacinho que se ganha no topo não é o que justifica esta opção de design em vez de um entalhe.

Aquele momento em que o telemóvel é também um carregador

Já escrevemos que a concorrência tinha um carregador traseiro sem fios e esta funcionalidade não é inovadora. Contudo, no S10+ é melhor. Carrega mais rapidamente outros aparelhos e é mais simples de ligar a funcionalidade. A bateria do S10+ é a melhor em qualquer smartphone Samsung, por isso não há grande problema em carregar outros dispositivos. Alguma coisa, o carregador FastCharge incluído, em cerca de um hora, carrega completamente a bateria. Mas temos de falar da concorrência outra vez aqui: apesar de este ser o S10+ que dá para mais de um dia, em testes diretos, vimos que, por umas largas três horas, este armazena menos energia.

Esconder um sensor de impressões digitais debaixo do ecrã

Quem sabe, um dia, as câmaras frontais dos telemóveis também vão estar embutidas de forma transparente nos ecrãs ou se calhar já nem vamos utilizá-los. Até lá, vamos ficando maravilhados com sensores de impressão digitais no próprio ecrã, como no S10+.

Só tínhamos utilizado em análise esta funcionalidade no Mate20 Pro, que funciona, na prática, de forma muito idêntica ao S10+. Mas em teoria é diferente: por ser ultrassónico, este funciona supostamente melhor, mas não notámos diferença. O fundo do ecrã continua a ser o melhor local para ter um sensor de desbloqueio, quando não queremos utilizar o reconhecimento facial, que também funcionou sempre neste telemóvel (já lá vai o tempo em que o iPhone X nos fazia queixar de que a tecnologia precisava de melhorar). Só não percebe quando estamos de óculos escuros mas, para isso, há o sensor de impressão digital.

Uma câmara com visão periférica (olhe para o smartphone no GIF para perceber o que é uma grande angular)

Na apresentação do S10+ disseram-nos que um ser humano tem uma visão de cerca de 120 graus e que a lente grande angular deste Samsung vai a cerca de 123. Pode ser uma boa frase de marketing, mas ao testar as câmaras do S10+ foi a funcionalidade que mais se destacou. Como se vê no GIF, permite ter um maior campo de visão do que a maior parte dos outros telemóveis. Todas as câmaras do S10+ já fazem deste smartphone um telemóvel que facilmente substitui uma câmara tradicional — e pode justificar, um pouco, o preço avultado que tem –, mas esta funcionalidade destacou-se. O problema maior que encontrámos com a câmara foi o de, em ambientes com pouca luz, já termos visto resultados melhores, mas isto devido ao software.

Há gestos quase como o iPhone X, mas o quase faz com que não sejam tão bons

Por predefinição, o S10+ tem no fundo do ecrã os botões digitais de menu para “voltar”, “ecrã inicial” e para ver as aplicações abertas (multitasking). Dá para mudar a ordem — a Samsung teimava em ser diferente dos outros Android na ordem destes botões — e utilizar o modo por gestos. Desde o iPhone X, no qual apenas se controla o sistema operativo com deslizes e, posteriormente, com o EMUI para Android, da Huawei, que comprovamos que esta é a forma mais eficiente de se controlar o telemóvel, principalmente com uma mão. Deslize para a direita, esquerda, do fundo para cima: faz-se tudo. Contudo, aqui a Samsung falhou.

Apesar de ter o modo de uma mão, que junta as aplicações todas num lado do ecrã, os únicos deslizes possíveis são do fundo para cima, no sítio onde estariam os botões físicos. Não é mais prático. Não é inovador. Não mostra o melhor que temos visto em Android. É possível que a Samsung resolva isto numa próxima atualização de sistema operativo. Até lá, o canto curvo “Edge”, continua a mostrar-se desnecessário. Sim, na concorrência tinha a funcionalidade de voltar para trás no modo de gestos e isso é tão mais prático depois de se passar a curva de aprendizagem.

Bixby, o insistente assistente digital que ainda tenta competir com a Google, a Siri e a Alexa

Nas laterais, o S10+ tem três botões: diminuir e aumentar volume; ligar, desligar e bloquear; e o botão Bixby. Se o assistente digital da Samsung já falasse português de Portugal (ou em inglês pelo menos) e estivesse tão avançado como a Siri, da Apple, a Google e a Alexa, da Amazon, percebíamos o porquê de haver um botão para, apenas com a voz, perguntar e ordenar o que quiséssemos a este smartphone. Contudo, não é o caso. A Bixby não é prática. As rotinas de inteligência artificial do software fizeram com que o alarme tocasse sempre à mesma hora só porque em dois dias foi posto a essa hora e nunca percebeu quando lhe pedimos para fazer chamadas. Pode melhorar um dia, mas de momento é um botão a mais no smartphone.

É um smartphone para duas mãos, mas isso tem vantagens

O S10+ tem 74.1 mm de largura e um ecrã de 6,4 polegadas com cantos curvos pouco acentuados. Basta, por isso, dizer que é um telemóvel largo. Isso tem vantagens. Não é apenas melhor para ver filmes no ecrã AMOLED, que continua a ter imagens bastante nítidas, como, por ser largo, dá mais espaço ao teclado digital. É um telemóvel para se utilizar com duas mãos, como acabam por ser todos os modelos atualmente. Mas este tem espaço para elas. O único problema que encontrámos com o ecrã estava relacionado com a luminosidade automática, que nem sempre reduziu para o mínimo em ambientes totalmente escuros.

Com estas colunas, é garantido que vai ouvir o smartphone a tocar

Podemos estar a comparar muito o S10+ ao Mate20. Afinal, foi o smartphone do ano de 2018 e ainda não voltámos a ser surpreendidos. Mas há pontos em que o S10 ultrapassa este modelo. É o caso das colunas externas. Aqui não há colunas embutidas em entradas USB-C. Há colunas exteriores que se fazem ouvir nitidamente e com bom som. É um dos pontos altos deste smartphone que mereceu destaque (e não só porque sempre que o telemóvel tocou na redação foi o suficiente para todos ouvirem).

É 2019 e, pelos vistos, agora é preciso salientar uma entrada para auriculares como vantagem

Ok. O S10+ não tem um sensor de infravermelhos para funcionar como comando de televisão ou animojis decentes (os novos continuam a ser um pouco macabros e fiáveis). No entanto, mantém a entrada para auriculares tradicionais sem fios. Sim, os novos GearBuds, os auriculares sem fios da Samsung são bastante leves, mas com ligações bluetooth e falta de bateria, há sempre o momento em que uns headphones com fios vão ser necessários. É único verdadeiro topo de gama que mantém esta funcionalidade e, pelos vistos, o que antes era um dado adquirido ou mínimo exigido agora é uma vantagem.

Não, por este preço não se parte à primeira queda

Quando a Apple fez 10 anos e apareceu o iPhone X, o estranho foi o tamanho. Parecia maior na apresentação e afinal não era assim tão grande. Com o S10+, o estranho foi o peso. É muito leve (tem apenas 157 gramas). Mesmo assim, é bem resistente. Do que testámos, podemos afirmar seguramente que até numa queda acidental em calçada portuguesa, sem capa, não se vai partir facilmente. No GIF mostramos um destes testes, já não por acidente e sim controlado, com a câmara super lenta do smartphone. É uma funcionalidade que continua a ser gira, mas só quando funciona. Conseguimos este resultado depois de muitas tentativas.

Veredicto final. É o melhor Samsung e corrige os problemas do S9+, mas demasiado tarde

Se todas as características deste S10, menos o furinho no ecrã, fizessem parte do S9+, a Samsung tinha tido o melhor smartphone de 2018. Tinha sido inovador e tinha havido um salto. Mas isto no reino dos “se”. Há um ano, o S9+ acabou por ter 4 estrelas. Agora, este S10+ prova que, se calhar, as estrelas e meia seriam uma funcionalidade interessante nas análises do Observador. Seria injusto dar quatro estrelas a este smartphone (era dizer que só não é dos melhores porque não inovou), o que faz com que estas cinco estrelas representem, na verdade, quatro estrelas e meia.

Comparativamente ao Mate20 Pro (que também teve cinco estrelas), o que este smartphone acrescenta é a entrada para auricular tradicional e as colunas externas. De resto, o smartphone concorrente já tinha mostrado tudo o que vimos nesta análise e acrescentou outras funcionalidades. O mais interessante no S10+ é que agora já nem se se fala de concorrência entre Samsung e Apple: é entre sistemas Android (o iPhone Xs não supreendeu muito).

Quando o Mate20 Pro saiu era 10 euros mais caro do que este modelo, mas agora já é mais fácil encontrá-lo a um preço mais económico (até 10% apenas desbloqueado, o que continua a traduzir-se num valor muito elevado). Contudo, o mesmo deve acontecer ao S10+ brevemente. Por isso, S10+ com a tua câmara angular e ecrã infinito com furo, fica com as 5 estrelas. Lá que és o melhor Samsung, és.

*Os equipamentos foram disponibilizados ao Observador pela Samsung para efeitos de análise.
**A frase “Se antes a Samsung era criticada por copiar os iPhone, da rival Apple, agora a Huawei também é acusada de fazer o mesmo” foi corrigida para: “Se antes a Samsung era criticada por copiar os iPhone, da rival Apple, agora também é criticada por se inspirar na Huawei”.