A Huawei já tinha apresentado o melhor smartphone do ano de 2018, o Mate 20 Pro. Com o modelo P30 Pro, em vez de pegar no modelo da gama anterior, o P20 Pro, e inová-lo para concorrer com aparelhos como o Samsung Galaxy S10 ou o iPhone Xs, a empresa chinesa utilizou a gama Mate como base. Resultado? O P30 Pro é um Mate 20 melhorado, cinco meses depois de ter chegado ao mercado. Ou seja, algumas das coisas que criticámos em outubro foram melhoradas, a câmara fotográfica destaca-se pela inovação há duas falhas que perduram (além do preço avultado: entre 1.000 e 1.100 euros).

Huawei P30 Pro

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A favor

  • Câmara fotográfica
  • Ecrã
  • Bateria

Contra

  • Não tem entradas para auriculares tradicionais
  • Preço
  • Sensor de impressões digitais demasiado no fundo do ecrã

O P30 Pro mantém o processador de topo da Huawei já utilizado no Mate 20 Pro, o Kirin 980 (é muito rápido), e tem 8GB de memória RAM. A versão inicial com 128 GB de memória interna é a menos cara, mas tem um preço recomendado de mil euros, o que não é para a maioria das carteiras portuguesas. Funcionalidades como o desbloqueio facial, ligar o smartphone a um ecrã para ativar o modo de computador de secretária ou a localização do sensor de impressões digitais (debaixo do visor) mantêm-se. O sensor de infravermelhos que permite que o telemóvel funcione como um comando de televisão continua a existir. E tudo isto funciona num design muito semelhante ao do Mate 20 Pro, com uma bateria de 4.200 milíamperes para quase dois dias de utilização.

Contudo, mesmo com muitas funcionalidades iguais  — em equipa vencedora não se mexe, não é? — há novidades. O ecrã AMOLED é maior, tem 6,47 polegadas. Já a saliência no topo do ecrã — o entalhe ou notch , como nos iPhone X — é apenas do tamanho da lente frontal e, agora, volta a haver colunas exteriores para melhorar o som. Além disso, na traseira, há quatro lentes fotográficas e uma delas, em forma de quadrado, serve para ajudar no zoom, garantindo fotografias com resultados excecionais. O som das colunas para chamadas está debaixo do ecrã (já explicamos isto melhor nos GIFs) e, ao contrário do principal concorrente, o S10+, o smartphone pesa 192 gramas (contra as 152 gramas do rival da Smansung). Continua a não ter entradas para auriculares tradicionais com fios e expandir a memória interna só é possível com cartões da NM Card (uma tecnologia da Huawei que concorre com cartões micro SD). Em 4 GIFs, porque muitas das novidades deste P30 já fizemos em 7 GIFs com o Mate 20 Pro, leia a nossa análise.

Uma câmara sem medo do escuro

O modo “Noite” da câmara fotográfica do P30 Pro funciona como no GIF. Basta haver um bocadinho de luz que seja e, através das lentes e do software do aparelho, os resultados não são comparáveis a nenhum outro smartphone no mercado. A Huawei afirma que redefiniu as regras da fotografia com este telemóvel e pode tê-lo feito. A funcionalidade de fotografar com uma lente grande angular é bastante parecida com o que temos visto no melhor de outros equipamentos e as outras características da câmara superaram em todas as comparações que fizemos.

Primeiro foi sensor de impressões digitais debaixo do ecrã, agora é a coluna para ouvir chamadas

É um pequeno pormenor, mas com alterações gigantes. Para reduzir o entalhe para o tamanho da lente frontal, a Huawei pôs a saída de áudio para chamadas debaixo do visor tátil. O sensor de impressões digitais também está debaixo do ecrã — e até está mais no fundo, o que não considerámos tão cómodo –, mas quando utilizámos pela primeira vez esta coluna numa chamada ficámos intrigados. Como não há uma saída física de som, a única confusão que detetámos foi a de saber onde pôr o ecrã no ouvido (nas primeiras utilizações, o smartphone avisa o local no ecrã, como animámos neste GIF). Depois de juntar o visor à orelha, tudo é igual: o som é bastante fluido e depois, até estranhámos as colunas tradicionais de outros telemóveis.

Um zoom que dá distância

O foco deste smartphone é mesmo a câmara: os utilizadores podem fazer zoom nas suas fotografias até 50 vezes. Não há nenhum smartphone no mercado que tenham uma capacidade de ampliar a imagem com esta dimensão. É um absurdo, como pode ver no GIF. No zoom máximo, a imagem fica um pouco pixelizada mas é bastante nítida. A lente grande angular deste telemóvel já surpreendia, mas a capacidade de fazer zoom, mesmo com centenas de metros de distância, foi uma das coisas que mais se destacou.

Contudo, com o foco nas câmaras traseiras, a câmara frontal deixou a desejar. É bastante boa e, por estar colada ao topo do ecrã, fica quase, quase de canto a canto. No entanto, já vimos melhor — e aqui referimos o Samsung Galaxy S10+. Com uma dupla câmara frontal, a qualidade das imagens neste equipamento fez-se sentir. No fim, a Huawei, com uma lente mesmo pequena, consegue ter funcionalidades como desbloqueio por reconhecimento facial e as fotografias são o que se espera de um topo de gama com este preço, mas com quatro lentes traseiras a inovarem, olhámos para as selfies com mais expectativa.

Um telemóvel pouco quadrado com uma lente quadrada

A câmara periscópio é a principal alteração no design do P30 Pro em relação ao Mate 20. Há controlo por gestos do sistema operativo Android, com o EMUI da Huawei, muito melhorados em relação ao P20 Pro. São iguais ao último topo de gama da empresa chinesa (a curvatura no ecrã é a melhor ferramenta deslizar para retroceder). No final, o que fica é um design em que o que se destaca mais é a saliência da câmara traseira, que tem um furo quadrado para uma quarta lente especial. Parece uma lente de uma câmara fotográfica digital, mas num smartphone.

Por causa da saliência das três lentes principais da câmara, este é um smartphone que exige comprar uma capa protetora à parte (já se acabaram os tempos, como no Mate 10, em que a proteção vinha incluída). Mas atenção, é preciso uma que permita o telemóvel carregar rapidamente sem fios e também poder carregar outros aparelhos, com esta funcionalidade, apenas pelo toque.

Veredito final: é um Mate 20 revisto que tomou esteroides

Passados cinco meses, a Huawei decidiu pegar no Mate 20 Pro e dar-lhe mais funcionalidades. Se já tiver esse modelo, não vale a pena comprar este smartphone. As melhorias são boas, mas não compensam uma nova compra. Em relação ao P20 Pro, este é uma verdadeira reinvenção da gama. Já em relação à concorrência, a Huawei mostra que, pelo menos até setembro, o debate agora é Samsung contra Huawei e a Apple está longe do pódio das fotografias, onde reinava. O problema é o preço, mas nesta gama começam a ser normais os preços elevados.

Há defeitos neste equipamento, mas se o topo de gama dos Mate já nos tinha cativado, com a correção das colunas exteriores e o notch mais pequeno, a Huawei consegue ter no mercado um dos aparelhos mais cativantes atualmente. Pode faltar-lhe uma entrada para auriculares tradicionais, mas cada vez menos estamos a olhar para essa característica (apesar de ainda ser bastante útil). No fim, estamos curiosos por saber como é que depois deste smartphone a Huawei pode inovar. Finalmente, vêm aí as câmaras frontais debaixo do ecrã? Em 2018, Richard Yu, presidente executivo da Huawei Consumer BG, dizia que as câmaras e os sensores no topo do ecrã “podem desaparecer por completo” e a empresa com o P30 parece querer mesmo esse caminho.

*O smartphone foi disponibilizado ao Observador pela Huawei para efeitos de análise.