O comandante em chefe do Corpo dos Guardas da Revolução, o exército ideológico da República islâmica do Irão, disse esta segunda-feira que a destruição de Israel “deixou de ser um sonho, mas antes um objetivo ao alcance da mão”.

Após os primeiros 40 anos “da Revolução islâmica, conseguimos alcançar a capacidade para destruir o impostor regime sionista”, declarou o major-general Hossein Salami, citado pela Sepahnews, o site oficial dos Guardas.

Na segunda fase [da Revolução], este regime sinistro deve ser eliminado do mapa e isso já não é um ideal ou um sonho, mas um objetivo ao alcance da mão”, acrescentou.

O militar iraniano exprimia-se durante uma reunião bianual dos comandantes dos Guardas, quando numerosos observadores receiam que a escalada de tensão entre Teerão e Washington e seus aliados, degenere num conflito que volte a incendiar o Médio Oriente.

As suas declarações sobre Israel foram reproduzidas pelas agências Tasnim e Fars, próximas dos ultraconservadores.

A agência oficial iraniana Irna também reproduziu esta frase, mas inserida no texto de um despacho com o título “Os inimigos sofrem um enfraquecimento irreversível”. A Irna optou antes por destacar as declarações do general onde assinalou que, apesar da “hostilidade” face ao Irão, o país continua a garantir uma crescente potência e acabará por triunfar sobre os seus adversários.

O discurso do chefe dos Guardas da Revolução foi pronunciado quando os judeus, em Israel e noutros locais, celebram desde domingo o Roch Hachanah, o Novo Ano judeu.

No Twitter, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Moussavi, desejou por seu turno um “bom ano aos compatriotas judeus e a todos os verdadeiros discípulos do grande profeta Moisés”. A mensagem, escrita em persa, inglês e hebreu, foi acompanhado pela expressão #ShanahTovah (“Bom ano” em hebreu).

No Irão permanecem atualmente com alguns milhares de judeus, instalados principalmente em Teerão, Ispahan (centro) e Chiraz (sul), contra os 80.000 e 100.00 antes da Revolução islâmica de 1979.

A hostilidade da República islâmica face ao Estado judaico tem sido uma constante desde a queda do xá Reva Pahlavi e a subida ao poder, nesse ano, do ayatollah Ruhollah Khomeini. Teerão apoia abertamente os grupos armados palestinianos (Hamas e Jihad islâmica) e o Hezbollah libanês, inimigo de Israel na sua fronteira norte.

Apesar de diversos generais iranianos afirmarem regularmente desejar a destruição de Israel, ou garantir a capacidade para destruir a cidade de Telavive, o atual governo iraniano distanciou-se das declarações inflamadas do ex-chefe de Estado ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad — que se manteve oito anos da presidência — após a eleição do Presidente Hassan Rohani em 2013.

Nesse ano, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano Javad Zarif (atualmente qualificado de “terrorista” pelos Estados Unidos) dirigiu os seus votos aos judeus por ocasião do Roch Hachanah.

Em junho de 2018, o Guia supremo iraniano, ayatollah Ali Kamenei, reafirmou a antiga “posição” de Teerão, que considera Israel “um tumor canceroso maligno que deve ser retirado e erradicado” do Médio Oriente.

Em 2001, Khamenei considerou “exageradas as estatísticas sobre os massacres de judeus” no decurso da Segunda Guerra Mundial, enquanto o discurso oficial iraniano precisa que o Estado hebreu deixará de existir dentro de alguns anos (até 2040, segundo a profecia do Guia), devido sobretudo à sua própria “arrogância”, e não por intermédio de um eventual ataque do Irão.

Em junho, Khamenei declarou que a República islâmica, ao contrário de Nasser (presidente do Egito de 1954 a 1970) nunca apelou a “lançar os judeus ao mar”.

Na ocasião, Khamenei recordou a proposta iraniana para solucionar o conflito israelo-palestiniano através de um “referendo” aberto aos “muçulmanos, cristãos e judeus da Palestina e aos refugiados” palestinianos.