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Ao longe ouve-se o som das concertinas e do escuro surge uma ‘parelha de vacas’ minhotas que traz o milho por desfolhar. Aos primeiros acordes, Assunção Cristas, de pé solto, começa a dançar e a bater palmas. Alguém provoca quando vê os animais: “Atenção ao PAN”. A líder do CDS, em pleno Tone dos Leitões, em Ponte de Lima, atira sem pejo: “O PAN aqui não entra. Alguém tem de defender o mundo rural“.

O milho é atirado ao chão e a líder do CDS, numa grande festa popular, começa a desfolhada. Já se sabe, como cantava Simone: “É milho-rei, milho vermelho/Cravo de carne, bago de amor“. Na roda da desfolhada só se pára quando se encontra a espiga-rainha, que é vermelha — o que demora. Cristas atira prontamente ao fim de 15 minutos a encher os cestos de milho: “Os vermelhos não querem nada connosco.” Coroada rainha do mundo rural pelos populares, Cristas lá encontra a maçaroca vermelha. É hora da dança e entra em sucessivas rodas do vira. “Tem jeito”, vaticinam-lhe os locais. Para a lavoura e para a dança. E, para as selfies, claro.

No Tone dos Leitões, as filas para o porco do espeto iam crescendo. Ao longe, o som do kuduro e do reggaeton — de um palco onde Cristas discursaria pouco depois — ia rivalizando sem sucesso com as concertinas. Assim que subiu ao palco, Assunção Cristas pediu aos apoiantes: “Vamos virar isto. A minha minha força está na vossas mãos. Não é por acaso que vimos o gado entrar, e as cantadeiras a cantar. Isto é a nossa cultura. Esta é a nossa vida. A nossa cultura faz-se desta gente e desta diversidade”.

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A candidata do CDS avisou que esta terça-feira não era dia “para grandes discursos”, mas “para convivermos” e  “para bailarmos”. Ainda assim, não deixou de dizer ao que ia: à “defesa do mundo rural”: “Aqui o que faz sentido é a desfolhada, é comer o porco do espeto. É defender tudo isto que somos nós, que são vocês, que é a riqueza do nosso Portugal.”

O cabeça de lista pelo distrito, Filipe Anacoreta Correia, tinha feito uma intervenção na mesma linha da líder: “Dançámos muito o vira, cantámos o vira, o vira minhoto. Isto está a virar, caros amigos. Isto está a virar”. E reforçou que o CDS defende “o mundo rural”, acrescentando: “Nós aqui comemos carnes.”

Marcelo e Costa deviam ter sido ouvidos pelo MP? A noite é de baile

Pouco antes de começar a grande festa minhota do CDS, foi noticiado que o Ministério Público equacionou ouvir António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Assunção Cristas não quis prestar declarações aos jornalistas sobre o assunto, mas no palco indiretamente transmitiu que não vai falar sobre isso.

Enumerou vários “escândalos” deste governo como a “Proteção Civil, as famílias na política e Tancos”. Destacou que o CDS sabe “bem o que é da justiça e da política” e deixou um aviso à navegação: “Não ouvirão nenhum comentário em relação ao que se passa no interior dos processos judiciais”. Ou seja: não vale a pena insistir sobre o facto dos procuradores terem manifestado a intenção de ouvir o primeiro-ministro e Presidente.

Antes de terminar o discurso, Assunção Cristas reforçou que o “voto no CDS é o voto mais seguro, mais direto, mais eficaz para a mudança” que o país precisa. A líder dos centristas destaca que este “é o voto para destronar a maioria da esquerda.”

E no final do discurso ainda cantou, como se fosse um karaoke, o hino do CDS, da autoria de Dina.

Assim que Assunção Cristas saiu de palco começou a tocar “Coisinha Sexy”, de Ruth Marlene. Este repertório, a líder do CDS já não arriscou, só dançou e bateu palmas. A noite foi mais de festa do que política-partidária, onde os finos e o vinho ganharam a Tancos.

Na desgarrada minhota — a que a líder do CDS assistiu na primeira fila — um dos cantadores enganou-se e chamou “Conceição Cristas” à líder do CDS, mas uma cantadeira compensou e fez uma rima que seguramente lhe terá agradado: “Seja o que Deus quiser/Portugal seria tão bom/Se fosse mandado por um mulher.