A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Norte, levou a cabo uma megaoperação de combate ao tráfico de droga com foco no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. Ao todo, foram realizadas, esta terça-feira, 54 buscas, vinte delas nos estabelecimentos prisionais de Paços de Ferreira, Guimarães, Monsanto, Vale dos Judeus e no setor masculino de Santa Cruz do Bispo. Foram ainda realizadas 31 buscas em domicílios e três em espaços comerciais, adiantou Norberto Martins, Diretor da diretoria do Norte da Polícia Judiciária.

Nove pessoas foram detidas no decorrer desta megoperação que já dura desde 2017, intitulada “Entre-Grade”, e serão presente amanhã, quarta-feira 6 de novembro, no tribunal criminal de Marco de Canaveses. Entre os detidos, contam-se cinco guardas prisionais (entre eles, dois com lugares de chefia) suspeitos de corrupção na prisão de Paços de Ferreira, um ex-recluso com antecedentes criminais de tráfico de droga e ainda três envolvidos com ligação a reclusos, detidos por posse ilegal de armas. Os detidos, sete homens e duas mulheres, têm idades compreendidas entre os 22 e os 61 anos. As buscas realizadas neste estabelecimento prisional foram presididas por três magistrados do Ministério Público.

“A droga entrava por força da atuação destes cinco guardas prisionais em conjugação com reclusos do próprio estabelecimento. Uma vez introduzida lá dentro, os reclusos vendiam-na a outros reclusos e ganhavam muito dinheiro com isso”, explica Norberto Martins, Diretor da diretoria do Norte da Polícia Judiciária.

Estão em causa os crimes de tráfico de estupefacientes, corrupção ativa e passiva e recebimento indevido de vantagens. Segundo comunicado aos jornalistas esta tarde, na diretoria do Norte da Polícia Judiciária, haxixe e cocaína eram essencialmente os estupefacientes que mais entravam indevidamente naquele estabelecimento prisional, a par de outros bens, como telemóveis.

Em conferência de imprensa, o Coordenador de Investigação Criminal Avelino Lima revelou que algumas das realidades já duram “há meia dúzia de anos, sempre com estes atores como peças fundamentais, nomeadamente os dois chefes”.

A investigação envolveu cerca de 160 pessoas, na generalidade investigadores. A PJ contou com a colaboração da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), nomeadamente de 50 operacionais do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional – GISP, “entidade que desde o primeiro momento colaborou ativamente nas investigações em curso”.

Em fevereiro, a então diretora do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira apresentou a demissão depois de a festa de aniversário de um recluso ter sido filmada com um telemóvel e transmitida em direto no Facebook.

Foi então realizada uma rusga na ala A da cadeia, onde foi feita a filmagem e onde vivem 374 reclusos, que resultou na apreensão de 79 telemóveis, “20 ampolas de anabolizantes, 8 seringas, 1 balança de precisão, 1 passaporte, 2 pares de luvas de luta MMA, 6 plastrons, 1 alambique artesanal, 2 baldes de fruta fermentada, centenas de comprimidos, diversos, 45 maços de tabaco, 6 caixas de tabaco avulso, 98g de uma substância que se presume ser haxixe, 20 gramas de uma substância que se presume ser heroína e 1 grama de uma substância que se presume ser cocaína”.