A crise desencadeada pelas eleições gerais de 20 de outubro na Bolívia, que já levou Evo Morales a renunciar ao cargo de Presidente, causou 10 mortos, divulgou esta quarta-feira o Ministério Público boliviano, citando o diretor do Instituto de Investigações Forenses, André Flores.

“O IDIF realizou a avaliação forense de 10 corpos em todo o país, quatro são de Santa Cruz, três de Cochabamba, dois de La Paz e um de Potosí. Do total de casos, oito perderam a vida devido a disparos de armas de fogo”, disse Flores.

Ainda nesta quarta-feira, a Defensoria do Povo da Bolívia publicou um relatório, segundo o qual ao longo de 24 dias de manifestações decorreram diversos incidentes que provocaram ainda 508 feridos e obrigaram a fazer 460 detenções.

Uma das vítimas mortais foi o comandante da unidade de operações especiais da Polícia de La Paz, que morreu após sofrer um acidente rodoviário enquanto tentava controlar os protestos.

Nas horas antes da divulgação dos dados mais recentes, foi confirmada a morte de um jovem de 20 anos na cidade de Montero, no leste de Santa Cruz, por disparo de arma de fogo. Na mesma região, em Yapacaní foi realizada a avaliação forense de um corpo não identificado, de 16 a 20 anos, que morreu da mesma forma.

A cidade de Cochabamba, no centro do país, regista três mortes, e La Paz, capital, sede do governo e do parlamento na Bolívia, e Santa Cruz, a cidade mais populosa, duas mortes cada. Em Potosí, uma cidade com uma longa tradição mineira no sul da Bolívia, morreu outra pessoa.

A maioria dos feridos registados até ao momento, 469, sofreu danos causados por civis, enquanto os outros 39 tiveram de ser tratados por ferimentos causados pela polícia, segundo o relatório da organização nacional de defesa dos direitos humanos.

O documento destaca que 13 agentes da polícia, 11 crianças e oito jornalistas foram agredidos durante os protestos. A maioria dos feridos durante as mobilizações são homens, 438, existindo registo de 70 mulheres também feridas.

A violência intensificou-se na Bolívia no domingo, quando Evo Morales renunciou ao cargo de Presidente do país e grupos provocaram roubos, incêndios e a destruição de mobiliário urbano em diferentes regiões. Os confrontos entre os apoiantes de Morales e as forças de segurança causaram cinco mortos entre 11 e 12 de novembro, segundo a organização.

Depois do aumento da violência nesta semana, as forças armadas concordaram em apoiar a polícia para acabar com os atos de vandalismo, especialmente em cidades como La Paz e El Alto. Esta quarta-feira voltaram a registar-se confrontos no centro de La Paz, entre manifestantes que apoiam Evo Morales e a polícia, no primeiro dia do mandato da presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez.