“Estavam à minha espera, não?”, disse, bem-humorado o candidato à liderança do PSD na chegada ao jantar na Universidade Católica, no Porto, a casa onde se licenciou. Luís Montenegro quer ser um “líder agregador” e acredita que à frente do PSD o partido é capaz de em quatro anos alcançar uma maioria absoluta. Para isso, o antigo líder parlamentar evoca o passado.

“Desde 1995 que o PSD não tem uma maioria absoluta no Parlamento, embora tenhamos passado pelo Governo duas vezes e tenhamos formado essa maioria com o CDS. Essas maiorias absolutas corresponderam ao maior ciclo de desenvolvimento e transformação estrutural do país no pós 25 abril. O que eu quero é reeditar um período com essa dimensão, evidentemente noutro tempo.”

Lembrou o passado do PSD, para depois dizer que prefere olhar para o futuro. “Não estou propriamente muito interessado em estar a massacrar a militância com o passado, embora nós devamos fazer uma análise do que foi o nosso desempenho político nos últimos anos, mas sobretudo olhando para a frente.”

O seu plano, diz, “pode surtir mais resultado” do que aquele aplicado por Rui Rio, cuja “confusão entre o PS e o PSD tem estado na base da sua estratégia política”. “No meu ponto de vista não gera confiança no eleitorado”, sublinhou, acrescentando que o país “precisa de uma diferenciação e de uma alternativa real”.

Entre Rio e Costa, o candidato à liderança laranja não tem dúvidas e considera que “qualquer militante do PSD é mais apto a poder desenvolver o país do que qualquer militante do PS.”

“Não é uma questão de ser melhor ou pior político, é uma questão de ter um projeto de intervenção na sociedade que produz um efeito na vida com capacidade de lhes dar mais bem-estar, mais esperança, mais condições para poderem ter oportunidade de cumprir os seus objetivos. Não tenho dúvidas que o projeto da social democracia, como nós no PSD o concebemos, dá mais condições de igualdade de oportunidades do que o projeto socialista, como aliás tem se visto nos últimos anos”, criticou.

Para Montenegro, estas eleições “não se esgotam dentro do PSD”, mas abrangem toda a sociedade civil, incluindo não militantes ou simpatizantes do partido, que garantiu estarem presentes no jantar desta quinta-feira, no Porto.

“Entendo que a candidatura à liderança do PSD extravasa o universo do partido, embora seja uma candidatura a um órgão e a uma função interna, é uma candidatura que habilita um líder a poder ser candidato a primeiro-ministro e, desse ponto de vista, é muito relevante que possa haver esta capacidade de diálogo com a sociedade.”

Confiante na vitória que lhe dará a possibilidade de construir “um projeto alternativo de Governo aquele que hoje é protagonizado pelo PS, com o apoio da CDU e Bloco de Esquerda”, o candidato revela não estar ainda “satisfeito” com o apoio que tem recebido. “Estou muito confortável com o apoio que tenho sentido, mas não estou satisfeito. Lutarei, voto a voto, pela confiança de todos os militantes do PSD.”

Se o partido não o escolher como representante, Montenegro garante continuar a ser o que é: “um militante de base”, um “cidadão político e ativo” e a exercer a sua profissão como advogado. E como à mesa não se fala de trabalho, que comece, efetivamente, o jantar.