Em entrevista à Rádio Observador no programa Vichyssoise, Luís Marques Mendes afirmou que nunca quis substituir Marcelo Rebelo de Sousa no espaço de comentário político nacional. “O professor Marcelo é inimitável. Cada um tem a sua maneira de ser, o seu registo. Nunca tive essa ambição de o imitar, ele foi o Papa do comentário”, disse.

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Sobre a hipótese de recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a Presidente da República, Marques Mendes notou que dizer que Marcelo Rebelo de Sousa ainda tem dúvidas sobre avançar é “do domínio da ficção científica”. “Acho que não tem dúvidas, [Marcelo Rebelo de Sousa] sabe isso desde o primeiro dia em Belém”, afirmou.

Luís Marques Mendes classificou ainda o primeiro-ministro com o “político mais pragmático” que conhece, explicando que António Costa não pensa a longo prazo, mas sim a curto prazo. “É o político mais pragmático que já conheci na vida política. É tudo a pensar no dia seguinte, no máximo na semana seguinte”, disse acrescentando também que o chefe de Governo “não tem problemas em dar o dito por não dito” e que “tem alguma dificuldade em ser coerente durante bastante tempo”.

Não sei se tem propriamente truques discursivos, mas tem alguma dificuldade em primar muito tempo pela coerência. É um político muito hábil, no sentido de ser muito pragmático. “

Por oposição, Marques Mendes diz que “habilidade não é propriamente o forte” de Rui Rio, apontando a sinceridade do líder social-democrata como a maior virtude política de Rio.

Rejeitando a ideia de estar na primeira linha da política nacional, Marques Mendes diz que tentou introduzir um estilo de comentário onde “dá notícias” e o facto de não ter “feitio para comentários neutrais” é que provoca reações em quem o ouve. “Mal ou bem, goste-se ou não, tomo posições nas diversas matérias”, disse.

Sobre a hipótese de ser o papagaio-mor do reino, Luís Marques Mendes considerou a afirmação de “a mentira mais pegada do mundo”, já que depois de falar em Marques Mendes, o Major Vasco Brazão apontou também a José Miguel Júdice ou a Miguel de Sousa Tavares. “Se quisermos levar isso a sério, ele não teve coragem de dizer o que queria. É evidente [que era Marcelo Rebelo de Sousa]”, respondeu quando questionado se a designação de papagaio-mor do reino se dirigia ao Presidente da República.

Com o aproximar das diretas do PSD, a 11 de janeiro, e depois de conhecidos já nomes de opositores à recandidatura de Rui Rio, Marques Mendes aposta numa eleição na 2.ª volta — algo inédito — que, considera, poderá beneficiar Montenegro. “Em teoria uma 2.ª volta pode facilitar a vida a Montenegro e não Rui Rio que está no poder. Rio teve 54% há dois anos, mas entretanto perdeu um conjunto de apoios. Há em teoria uma redução do espaço de apoio de Rio”, afirmou.

Quanto à hipótese de se candidatar novamente à liderança social-democrata, Luís Marques Mendes afastou totalmente a ideia: “Nunca, jamais em tempo algum, nem que Cristo desça à terra”.

Sobre outra liderança, esta do PS, Luís Marques Mendes deixou no ar que entre os socialistas o tema e a discussão em torno da sucessão de António Costa “apesar de não estar para breve, está muito mais viva que alguém imagina” entre os socialistas.