Um dia antes de se assinalar o primeiro ano desde o início das manifestações dos coletes amarelos em Paris, os manifestantes voltaram às ruas da capital francesa — mas já começam a desmobilizar. Cerca das 16 horas locais, os manifestantes na Praça de Itália começaram a abandonar o locas e as equipas de limpeza entraram em ação para começar a limpar os destroços deixados pelas horas de confusão e confrontos entre os manifestantes e as forças policiais.

Na sexta-feira, um dos principais rostos da organização dos coletes amarelos franceses, o lusodescendente Jerome Rodrigues não levantava o véu sobre o plano delineado para o fim de semana, mas avisava que “iam acontecer muitas coisas” este sábado na capital francesa. O jornal Le Figaro dá conta de “algumas centenas” de manifestantes que ainda “jogam ao gato e rato” com a polícia pelas ruas da capital francesa.

Após várias horas de protesto já foram detidas 78 pessoas e identificadas 124, de acordo com o mais recente balanço da Câmara de Paris. A polícia já fez cerca de 8861 fiscalizações preventivas onde apreendeu, entre outros artigos, várias máscaras que protegem do gás lacrimogéneo.

Há imagens de carros tombados e incendiados na cidade. Os bombeiros tiveram mesmo de intervir para responder aos vários focos de incêndio na Praça de Clichy, mas foram atacados por alguns dos manifestantes, levando a polícia a intervir para evitar o pior.

As primeiras horas deste sábado ficaram marcadas por alguma tensão em Paris nos pontos de onde saem duas manifestações autorizadas, na Praça de Itália e em Porte de Champeret. Cerca das 11 horas locais a polícia teve que intervir, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar algumas centenas de manifestantes, que resistem apesar das baixas temperaturas que se fazem sentir em Paris, que uma hora antes se tinham começado a concentrar circular externa da cidade, o “periférico”, perto de Porte de Champerret.

Junto ao Sacré Coeur começaram também a mobilizar-se algumas dezenas de coletes amarelos, com o objetivo de iniciar uma marcha até à Bastilha, um percurso de cerca de uma hora a pé, ao som da música “On lâche rien” adotada pelo movimento desde os primeiros dias de manifestação em 2018.

Em declarações ao Le Monde, Priscillia Ludosky uma das figuras do movimento afirmou que a partir das 14 horas estão previstas as maiores manifestações, com os coletes amarelos a tentar ligar a praça de Itália a Franz-Listz.

Cancelada concentração na praça de Itália

Os confrontos entre a polícia e os coletes amarelos e o aumento da tensão na zona da praça de Itália levou a que a polícia de Paris decidisse anular a ordem de autorização da concentração de manifestantes na praia.

Apesar dos acontecimentos terem levado ao cancelamento da concentração, em conferência de imprensa, o chefe da polícia parisiense Didier Lallement afirmou que “estão serenos”. “Estamos determinados, mas serenos. A situação está sob o nosso controlo. O dia está a desenrolar-se conforme tínhamos antecipado”, disse o responsável.

Monumento ao Marechal Juin destruído

Partes do monumento em honra do marechal francês Alphonse Juin, um histórico comandante das forças armadas francesas durante a Quarta República, num contexto internacional muito conturbado do pós Segunda Guerra Mundial.

As partes em pedra do monumento foram arrancadas pelos coletes amarelos para serem depois arremessadas às forças policiais, bombeiros e a edifícios nas proximidades.

Também em Lyon já há notícia de confrontos entre os manifestantes e a polícia. Segundo o Le Figaro, um milhar de coletes amarelos concentraram-se em pleno centro da cidade de Lyon — ignorando a proibição de manifestações naquele local —, um ambiente tenso que rapidamente escalou até à utilização de gás lacrimogéneo.