Os navios Alan Kurdi, da organização alemã Sea Eye, e o Ocean Viking, dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) e SOS Mediterranée, com 121 migrantes a bordo, aguardam há cinco dias que Malta ou Itália autorizem o desembarque destas pessoas resgatadas do mar.

A organização não governamental (ONG) SOS Mediterranée reiterou esta terça-feira, num comunicado, o seu pedido aos países europeus para permitirem o desembarque num dos seus portos das 60 pessoas resgatadas há cinco dias, incluindo 17 menores não acompanhados, um bebé de 3 meses e o seu irmão de 3 anos.

Vários dos migrantes que foram resgatados, quando estavam à deriva num barco de madeira a 60 milhas da costa da Líbia, tiveram de receber tratamento médico devido a “ferimentos traumáticos recentes e significativos”, supostamente sofridos na Líbia.

Um dos migrantes permanece em observação e exigirá transferência imediata para o hospital após o desembarque, explicou a ONG.

Segundo a SOS Mediterranée, com a mudança nas condições climatéricas, as pessoas resgatadas sofrem de tontura e algumas delas precisam de injeções para controlar os vómitos persistentes.

O Ocean Viking enviou a 29 de novembro um pedido para levar 60 migrantes do Centro Conjunto de Coordenação de Resgate da Líbia (LYJRCC) para um porto seguro e, na falta de resposta, enviou esta terça-feira um novo pedido às autoridades italianas e maltesas, que responderam negativamente até agora.

“Homens, mulheres e crianças estão novamente presos no convés do nosso navio depois de serem resgatados no mar. Entretanto, estão a ser atendidos pela nossa equipa médica. O tempo piorará nos próximos dias e isso prolongará desnecessariamente o sofrimento dos sobreviventes que já sofreram muito“, disse Nicholas Romaniuk, coordenador de busca e salvamento da SOS Mediterranée a bordo do Ocean Viking, numa nota.

A SOS Mediterranée também denunciou que a 1 de dezembro o Ocean Viking recebeu informações de que a guarda costeira da Líbia devolveu a Trípoli 33 pessoas resgatadas por um navio mercante na costa daquele país.

Isso ocorreu depois que o navio solicitou a assistência do Ocean Viking, mas não estava autorizado a fazer uma transferência e as pessoas foram devolvidas à Líbia.

Na mesma situação está o Alan Kurdi, que também resgatou a 29 de novembro 84 migrantes, sendo que 23 deles tiveram que ser levados para Itália por problemas de saúde, mas o desembarque dos restantes 61 migrantes a bordo do navio continua a ser negado.

A última retirada de pessoas do barco ocorreu na noite de segunda-feira, quando cinco mulheres entre 17 e 19 anos, tiveram que ser levadas ao hospital siciliano de Modica devido a tonturas e cólicas abdominais que sofreram. Três dessas mulheres foram acompanhadas pelos maridos.

O navio foi autorizado a aproximar-se a 12 milhas do porto de Pozzallo, na Sicília, para transferir as oito pessoas para os barcos da Guarda Costeira italiana, mas depois foi instruído a afastar-se de novo.