Os franceses, que têm algumas cidades com problemas relativos à má qualidade do ar, inclusive Paris, estão apostados em acabar com o contínuo incremento das emissões poluentes, mas igualmente das não poluentes, como o dióxido de carbono (CO2), cuja contribuição negativa se refere ao efeito estufa e alterações climáticas. Daí que tenham concebido uma legislação que parece apontar especificamente aos SUV – mais pesados e menos aerodinâmicos, o que os leva a serem menos amigos do ambiente –, veículos que hoje representam 30% do total de vendas de carros novos em França, continuando a aumentar.

O imposto sobre a poluição “apanha” a maioria dos SUV de dimensões médias e grandes, com ênfase para os que adoptam motorizações mais possantes. Mas estão longe de serem os únicos a serem visados pelo Governo, que penalizará também alguns desportivos e berlinas topo de gama.

O novo imposto irá punir de forma progressiva os que emitem mais de 173g de CO2, que pagarão cerca de 12.500€, para acima de 185g terem de liquidar a taxa máxima de 20.000€. Valores substancialmente mais elevados do que os que eram praticados até aqui, numa tentativa de, por um lado, desincentivar a aquisição deste tipo de modelos para, por outro lado, criar um fundo que o Estado irá utilizar a promover soluções menos poluentes.

De acordo com a Bloomberg, o Governo francês pensa obter desta forma cerca de 50 milhões de euros por ano. O que não se traduzirá necessariamente em incentivos à compra de carros eléctricos, pois o ministro das Finanças já faz saber que, em 2020, o Estado ainda vai comparticipar a aquisição em 6.000€, mas este valor deverá começar a baixar a partir de 2021, à medida que os veículos a bateria se tornem mais acessíveis.

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Para se ter uma ideia da abrangência que o imposto sobre a poluição pode ter nas escolhas de alguns condutores, basta atentar numa marca como a Porsche, que é das poucas cuja gama inclui desportivos e berlinas desportivas, além de SUV grandes e médios, ou seja, tipicamente os veículos perseguidos pelo legislador francês. O mais acessível e menos potente dos Cayenne, com um 3.0 V6 a gasolina de 340 cv, anuncia emissões de 210g de CO2/km, para o Cayenne Turbo, com um 4.0 V8 turbo de 550 cv, elevar a fasquia para 261g. Mesmo o Macan mais barato, com o mesmo chassi e mecânica do Audi Q5, reivindica 227g.

O Panamera com o mesmo V6 do Cayenne “baixo de gama” emite 194g (certamente graças a um melhor Cx) enquanto, entre os desportivos, o 718 Cayman mais em conta homologa 186g e o menos potente dos 911 Carrera regista 206g. Significa isto que todos eles vão ao encontro da voracidade do fisco francês e sempre posicionados no escalão mais elevado, o dos 20.000€. Resta ver se a moda alastra ao nosso país.