Quando um fabricante decide produzir um desportivo capaz de impressionar os seus clientes – e a concorrência – vê-se constantemente (mais ou menos) limitado pelos custos que esse modelo vai implicar, pois tem de ser comercializado por um preço que possa ser considerado um bom value for money. E é isto que faz com que não surjam as melhores (e mais caras) opções em todos os modelos, seja a nível da mecânica, da transmissão ou do chassi. Curiosamente, não parece que a Toyota se tenha visto muito limitada neste capítulo.

Para base do seu novo desportivo, que denominou GR Yaris – GR de Gazoo Racing, o departamento de competição que representa a marca no WRC e no campeonato de resistência WEC –, a Toyota recorreu ao melhor que tinha à mão e que podia ser aplicado num veículo com cerca de 4 metros de comprimento. E nem sequer se pode estranhar que seja a Gazoo Racing a encarregada de conceber e desenvolver o GR Yaris, pois o GR Supra também foi da sua responsabilidade.

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O primeiro trunfo do GR Yaris é o seu motor, um pequeno 1.6 de três cilindros sobrealimentado, de onde os japoneses extraem 261 cv e 360 Nm de binário. Valores que colocam em sentido o que tradicionalmente se oferece neste segmento, o que chama a atenção para esta pequena “bomba” da Toyota. Mesmo em termos absolutos, extrair 261 cv de uma unidade 1.6 é um valor respeitável, dado equivaler a uma unidade com 2 litros de capacidade e 326 cv.

O potente três cilindros está acoplado a uma caixa manual de seis velocidades, uma solução relativamente old school, embora com muitos adeptos. Mas, verdadeiramente raro neste segmento (e até mesmo no imediatamente superior) é a transmissão ser assegurada pelas quatro rodas, o que não só aproxima este GR Yaris do modelo que representa a Toyota no Mundial de Ralis, como vai assegurar ao pequeno superdesportivo um comportamento do outro mundo.

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Mas atenção que o sistema AWD do GR Yaris não é apenas uma solução 4×4 destinada a compensar a incapacidade do trem dianteiro de lidar com 360 Nm de torque, uma vez que a Gazoo Racing dotou-o com dois diferenciais Torsen, sistema que garante a função autoblocante para tornar o carro mais eficiente e mais divertido de conduzir, mais próximo de um carro de ralis. Tanto mais que o sistema AWD desafia o piloto, perdão, o condutor, a escolher um dos três modos de condução possíveis, designadamente Normal, Sport e Track. O primeiro coloca atrás 40% da potência, o segundo faz incidir 70% da força nas rodas traseiras, enquanto o Track distribui a potência de forma equitativa, mas certamente sem tantas limitações electrónicas.

Já à venda no Japão pelo equivalente a 32.500€, o GR Yaris pesa apenas 1280 kg, apesar do sistema de transmissão, uma vez que o fabricante recorreu a várias peças em alumínio e fibra de carbono. A velocidade máxima anunciada é de 230 km/h, depois de atingir 100 km/h em somente 5,5 segundos. Tudo isto num desportivo em que o mais importante é mesmo o comportamento – e quanto mais escorregadio for o piso, melhor…