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RR7. Rio também é Ronaldo, quer o campeonato nacional e no congresso só conta com a própria equipa

O capitão RR7 conta com todos no PSD, mas mediante condições: lealdade e seriedade. O contar é relativo, pois não vai negociar listas conjuntas com Montenegro. Objetivo: governar.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rui Rio voltou a fazer um discurso como sete dias antes, com sete mensagens. “O número de Ronaldo”, como fez questão de dizer. Agora é o Ronaldo do PSD e começa a ameaçar recordes: é o segundo (além de Passos) a conseguir ser reeleito em diretas. O líder já provou que é o melhor no campeonato interno, mas o grande objetivo é ser primeiro-ministro: “Hoje ganhei o PSD, amanhã quero, com o PSD, começar a ganhar o país.” Na verdade, não é bem amanhã, como explicou numa frase que definiu como politicamente incorreta: “Amanhã vou descansar, para a semana começo a trabalhar”.

Rio pede “estabilidade e lealdade” e promete: “Cabem todos cá dentro”

O Ronaldo do PSD não vai mudar a sua forma de jogar, afinal a tática é vencedora: não afrontar violentamente o PS. Rui Rio explicou que uma oposição forte, na sua leitura, é uma oposição “responsável e credibilizadora” e que entende que o PSD deve estar ao serviço do país tanto “no governo como na oposição“.

O grande objetivo de Rio é ser primeiro-ministro: “Hoje ganhei o PSD, amanhã quero, com o PSD, começar a ganhar o país”. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rio aprendeu a ser individualista para não perder a bola para o adversário

Rio tentou passar a bola aos adversários, mas já aprendeu que é melhor jogar sozinho. Então anunciou, desde logo, que não vai negociar uma lista conjunta ao Conselho Nacional, como fez com Pedro Santana Lopes no Congresso Nacional há dois anos. “Não correu bem“, disse o líder do PSD. É por isso que vai “ceder” aos que sempre lhe disseram para fazer uma lista própria ao “órgão máximo entre congressos”. Agora que esse órgão até voltou a servir para tentativas de ‘impeachment‘ à liderança.

Curiosamente, há dois anos foi Salvador Malheiro a negociar a lista (do lado de Rio) com João Montenegro (do lado de Santana), mas nesta campanha João Montenegro esteve ao lado de Malheiro no topo da estrutura.

O líder do PSD acredita que o resultado que teve (53%) “chega para garantir a unidade” do partido, mas lembra que “não depende dele”. E exige alguns requisitos no seu clube laranja: “Seriedade”, “lealdade” e “estabilidade”. Rio garante: “Cabem todos cá dentro, desde que com seriedade e lealdade.” Ainda assim deixou claro que não conta com Montenegro para nenhum cargo nacional, nem com os seus apoiantes para negociações no Congresso. Rio lembra que — se fosse ele próprio a perder as eleições — sairia sem “azedume“. É isso que pede a Pinto Luz e Montenegro, que ligou ao vencedor a felicitá-lo pelo resultado.

Rio garantiu no seu discurso de vitória: “Cabem todos cá dentro, desde que com seriedade e lealdade.” JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rio lembra que os próprios militantes escolheram tanto em janeiro de 2019 como agora a “estabilidade” e que, portanto, os seus adversários devem respeitar isso. E Rio, a dar uma particular importância aos números lembrou que este sábado, 18 de janeiro, faz precisamente um ano do Conselho Nacional em que os críticos tentaram tirá-lo da liderança.

O próprio Paulo Rangel dizia à entrada na sala que “os resultados das eleições diretas do PSD são como os das Presidenciais: morrem no dia a seguir à eleição“. E acrescentava em jeito de aviso aos críticos de Rio: “Espero que todos compreendam isso. É assim que deve ser. E é assim que vai ser”.

Hat-trick do RR7: Autárquicas, regionais e governo

O RR7 manifestou não só o desejo de liderar o país, algo que disse na moção com que se apresentou para esta liderança que estava pronto a fazer já em 2021. Rui Rio quer também ambição nas autárquicas e nas regionais dos Açores.

Começando pelas regionais, a grande aposta de Rui Rio e do seu vice-presidente (que substituiu o zangado Castro Almeida), José Manuel Bolieiro. E sobre as eleições nos Açores, Rio desferiu críticas duras a “24 anos de poder tentacular” do Partido Socialista e acredita que o PSD tem hipótese de disputar essas eleições “taco-a-taco”.

Sobre as autárquicas, Rio Rio aproveitou para deixar uma mensagem para dentro (os próprios apoiantes) e uma indireta (bem direta) para fora (Luís Montenegro). O líder do PSD faz um aviso à navegação dos que o ajudaram a ser reeleito: “Nas autárquicas não podemos escolher os amigos, nem aqueles que são líder de fação em cada secção. Só podemos escolher os melhores“.

Rui Rio para além de liderar o país quer também ambição nas autárquicas e nas regionais dos Açores. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Rio acredita ter aqui ‘skills’ que o outro player não tinha. O líder do PSD fala numa “vantagenzinha: não prometi nada a ninguém”. Era uma indireta para Montenegro, sugerindo que a candidatura do adversário andou a prometer a apoiantes que seriam candidatos autárquicos. “Não estou preso a nada“, lembrou.

Em matéria de indiretas, Rio disse ainda que ia defender a estratégia do Conselho Estratégico Nacional (CEN) e disse que ia combater as “lutas de galos e de pintaínhos” que foram promovidas. Na verdade, referia-se às distritais que consideraram o CEN uma afronta e tentaram boicotar aquele órgão.

E cada jogador que vence tem direito à flash interview e à conferência de imprensa. Desta vez, Rio não atacou a comunicação social, mas sempre que os jornalistas faziam uma pergunta com uma introdução havia um apupo na sala. Sempre com um sorriso na cara, Rio foi respondendo às perguntas que lhe foram fazendo.

A noite eleitoral correu de forma mais rápida que o habitual. Rio não quis desta vez dar valor às percentagens, nem aos pontos percentuais. 53%-47% é suficiente para dizer que é “de forma inequívoca” o novo líder do PSD. E negou a redundância de que o partido está partido, explicando que o PSD esteve simplesmente a “marcar as diferenças” próprias de uma disputa eleitoral. Agora, diz, é “momento de marcar a unidade.”

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