“Ninguém pode estar acima da lei, a lei tem de ser igual para todos”. Foi com estas, breves, palavras que o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social de Angola, Manuel Nunes Júnior, comentou, em nome do governo angolano, os polémicos Luanda Leaks, um conjunto de documentos divulgados pela imprensa internacional que comprovam irregularidades de Isabel dos Santos.

Manuel Nunes Júnior falava numa conferência de imprensa realizada no âmbito da primeira Cimeira de Investimento Reino Unido-África, realizada esta segunda-feira em Londres. “Precisamos de ter em Angola um verdadeiro Estado de Direito. Consideramos que o Estado de direito é o elemento essencial para que haja confiança dos agentes na sociedade em que estamos inseridos”, afirmou ainda o homem enviado pelo presidente angolano João Lourenço, conta a agência Lusa.

A declaração surge como a primeira reação oficial do Governo angolano depois de no fim-de-semana passado terem sido revelados esquemas financeiros que, alegadamente, permitiram a Isabel dos Santos, filha mais velha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos, retirar cerca de 100 milhões de euros da petrolífera Sonangol para consultoras que controlava direta ou indiretamente.

De acordo com a notícia também dada pelo Jornal Económico, Manuel Nunes Júnior também afirmou que o seu país está em fase de mudança, a abraçar um novo paradigma de governação que procura promover “uma economia de mercado devidamente estruturada” que não seja tão dependente do petróleo. “Estamos nesta cimeira para passar esta mensagem e para garantir que mais investimentos fluam para Angola em vários domínios”, vincou. Os setores da agricultura, agroindústria, turismo, indústria transformadora, extrativa e telecomunicações são destacados pelo mesmo ministro como sendo áreas em que o investimento do Reino Unido pode vir a ser determinante.

Boris Johnson, que também discursou esta segunda-feira, na cerimónia de abertura do encontro, afirmou que transformar o Reino Unido no “parceiro de investimento favorito” dos países africanos, urgindo os líderes presentes a aproveitar as oportunidades que surgirão no rescaldo do pós-Brexit. O Governo britânico tem como ambição fazer com que o Reino Unido se torne no maior investidor estrangeiro em África em 2022 de entre os países do G7 (que inclui também Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos da América).

Atualmente, duas mil empresas britânicas operam em África, negócios que representam um investimento de 36 mil milhões de libras (42 mil milhões de euros). Nesta cimeira marcaram presença 21 dos 54 países africanos, 16 deles representados pelos seus chefes de Estado.